FALÊNCIA MORAL DO BRASIL
Quando Bolsonaro foi eleito, após o lulopetismo se lambuzar em tanta corrupção, a ideia do eleitor era a de que estaria escolhendo alguém capaz de promover uma verdadeira ruptura, como se fosse um outsider. Durante o mandato, porém, vimos que ele fazia parte do mesmo sistema, com práticas de “rachadinhas” no clã Bolsonaro e tentativas de intervir na Polícia Federal para proteger o filho 01.Agora, assistimos atônitos ao ministro do STF, ex-advogado do PT, Dias Toffoli, viajar em jatinho particular para assistir à final da Libertadores acompanhado de um advogado do Caso Master, do qual é relator. No mesmo processo, o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, assinou contrato de R$ 129 milhões com o Banco Master, investigado por fraudes contra o sistema financeiro.Vivemos uma falência moral que não é de hoje: relações promíscuas em que a Constituição é interpretada — ou rasgada — conforme o interesse particular deste ou daquele. No impeachment da ex-presidenta Dilma Rousseff, por exemplo, ignoraram o texto constitucional ao não retirar seus direitos políticos, algo que Collor não conseguiu preservar, conforme está previsto em nossa Carta Magna.
Voltando a Bolsonaro, assustados com seu discurso contra as instituições, conseguiram a façanha de libertar Lula para que este pudesse concorrer. Agora, Lula está novamente no centro das atenções, enquanto Bolsonaro enfrenta prisão por um golpe fracassado. O eleitor médio continua dividido entre dois lados que nasceram desse sistema torto do presidencialismo de coalizão, criado pela Constituição de 1988 e fortalecido pela emenda da reeleição, que permitiu a perpetuação de quem já ocupava cargos executivos. Desde então, vimos crescer o número de partidos representados no Congresso: mais de 30 legendas transformadas em balcões de negócios, em busca de cargos e emendas parlamentares para beneficiar o partido no poder.
Esse quadro revela a falência moral do país, que assiste à população empobrecer enquanto o PCC e outras facções avançam sobre a política, o Judiciário e o mundo empresarial, com a complacência de todos. Enquanto isso, o trabalhador pobre faz milagres para se deslocar em ônibus lotados, lutando pelo pão de cada dia, enquanto nosso líder maior, presidente Lula, promete fartura na mesa do brasileiro no Natal.Lembro bem quando o então candidato à Presidência afirmava, no Programa Sílvio Santos, que iniciativas como o Bolsa Escola não passavam de jogada eleitoreira. Hoje, a prática recorrente é locupletar-se no poder, comprar votos no Congresso e na população, estendendo o Bolsa Família a mais de 90 milhões de brasileiros. No entanto, nunca se atacaram as causas estruturais dos problemas, nem mesmo quando Lula apareceu com a mão suja de petróleo do pré-sal prometendo que os recursos seriam destinados à educação.
Peço ao leitor e eleitor muito cuidado nas próximas eleições, para que possamos verdadeiramente buscar novos caminhos fora desses dois pensamentos hegemônicos: petismo e antipetismo.
Autor:
Marcelo do Vale Nunes