Lipedema ainda é confundido com obesidade e afeta milhões de mulheres, alerta Cirurgião plástico Dr. Bruno Granieri

Muitas mulheres passam anos enfrentando frustrações com dietas, exercícios físicos e tratamentos estéticos sem conseguir reduzir o volume das pernas ou dos braços. Em diversos casos, o problema não está relacionado à obesidade ou à retenção de líquidos, mas sim ao lipedema, uma doença crônica que ainda é pouco conhecida pela população e frequentemente subdiagnosticada.
Segundo o cirurgião plástico Dr. Bruno Granieri, embaixador do BAPS Lipedema Day e membro fundador do CELIP, o lipedema é uma condição caracterizada pelo acúmulo anormal de gordura, principalmente nas pernas, quadris e braços. A doença pode causar dor, sensibilidade ao toque, sensação constante de peso, inchaço e facilidade para o surgimento de hematomas e equimoses.
“O grande problema é que muitas pacientes passam anos sem diagnóstico. Elas acreditam que estão acima do peso ou que não conseguem emagrecer porque não se esforçam o suficiente, quando na verdade estão lidando com uma doença que precisa de tratamento adequado”, explica o médico.
O especialista destaca que o lipedema acomete quase exclusivamente mulheres e pode estar associado a fatores hormonais e genéticos. Os sintomas costumam surgir ou se intensificar em períodos marcados por alterações hormonais, como puberdade, gravidez e menopausa.
Além dos impactos físicos, a doença também pode comprometer significativamente a autoestima e a saúde emocional das pacientes. O desconforto gerado pelas mudanças corporais e pelas limitações impostas pelos sintomas frequentemente afeta a qualidade de vida.
“Muitas mulheres relatam vergonha do próprio corpo, dificuldade para encontrar roupas adequadas e até limitação para realizar atividades do dia a dia devido às dores e ao desconforto”, afirma Dr. Bruno Granieri.
O tratamento do lipedema pode envolver mudanças de hábitos, acompanhamento multidisciplinar, drenagem linfática, prática de atividade física orientada e, em casos específicos, cirurgia para remoção do tecido gorduroso comprometido. “O mais importante é buscar avaliação médica especializada. Quanto mais cedo o diagnóstico for realizado, maiores são as chances de controlar os sintomas e melhorar significativamente a qualidade de vida da paciente”, conclui o especialista.