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Na era da IA, como saber se você está contratando um profissional real?

Por edicao·
Na era da IA, como saber se você está contratando um profissional real?

Com 150 milhões de brasileiros nas redes e ferramentas de IA capazes de simular resultados quase perfeitos, aumenta o risco de contratar profissionais com portfólios manipulados. Especialistas explicam como verificar se a reputação é real.

A forma como escolhemos os profissionais mudou profundamente.

Hoje, antes de contratar um arquiteto, médico ou tatuador, o consumidor investiga. Analisa redes sociais, pesquisa no Google, compara avaliações e observa sinais de autoridade.

E o tatuador e artista visual Eder Galdino (@edergaldinotattoo) é um exemplo claro dessa transformação.

Especialista em realismo preto e branco, Eder recebe clientes de estados e países como Inglaterra, Alemanha, França e Estados Unidos — muitos deles chegam até ele exclusivamente pelas redes sociais.

“Hoje o cliente não escolhe mais o endereço. Ele escolhe o artista. Já recebi mensagens de pessoas que passaram semanas analisando meu trabalho antes de decidir vir ao Brasil tatuar comigo”, conta.

Segundo ele, o comportamento do consumidor mudou. “As pessoas observam cicatrizações antigas, vídeos, bastidores. Não é só a foto pronta.”

Os números explicam o cenário.

Segundo o relatório Digital 2026, da DataReportal, cerca de 150 milhões de brasileiros estão ativos nas redes sociais aproximadamente 70% da população. 

O Instagram reúne mais de 140 milhões de usuários no país, consolidando-se como uma das principais vitrines de validação profissional.

Nesse ambiente, reputação deixou de ser detalhe. Tornou-se filtro de escolha.

Mas, com a popularização da Inteligência Artificial e de ferramentas avançadas de edição, surge a pergunta: como diferenciar autoridade real de imagem construída?

Reputação digital: ativo econômico e risco jurídico

Segundo a advogada especialista em Direito Digital e Segurança Cibernética, Dra. Alexandra Beck, a IA ampliou o potencial criativo — mas também sofisticou a manipulação.

“Hoje é possível alterar imagens, simular resultados e até construir portfólios artificiais com alto grau de realismo. Isso impacta diretamente temas como publicidade enganosa, uso indevido de imagem e responsabilidade civil por dano informacional”, explica.

Para ela, a autenticidade digital não se sustenta apenas na estética. “Reputação não é imagem. É histórico auditável. É coerência ao longo do tempo. Presença institucional estruturada, registros verificáveis e interação orgânica com clientes reais compõem um lastro que pode, inclusive, ter relevância jurídica.”

IA como ferramenta — não como ilusão

Eder foi um dos pioneiros no Brasil a integrar IA ao processo criativo das tatuagens. A tecnologia é utilizada para explorar ângulos, luz e composição antes da aplicação na pele.

Mas ele faz questão de estabelecer limites:“A IA é uma ferramenta de apoio criativo. A decisão final é humana. O desenho só acontece depois que eu estudo a anatomia do cliente. Antes da primeira agulha, eu simulo digitalmente como a tatuagem ficará na própria pele.”

Segundo ele, o processo reduz a insegurança e aumenta a transparência.“Não existe surpresa. Existe método.”

O novo consumidor digital exige validação

Para a Dra. Alexandra Beck, o cenário atual exige mais diligência do consumidor.

“Com a expansão da IA, tornou-se possível inflar autoridade digital com facilidade. Perfis podem projetar expertise sem lastro real. A validação precisa considerar histórico, presença offline, entrevistas concedidas, menções em veículos e coerência narrativa.”

Segundo ela, autoridade legítima se diferencia pela rastreabilidade.

“No ambiente digital, confiar deixou de ser impulso. Tornou-se exercício de verificação técnica.”

Exclusividade como coerência de posicionamento

O modelo de trabalho de Eder também reforça essa lógica.

Ele atende apenas um cliente por dia, dedicando agenda integral a um único projeto. “Quando você constrói algo exclusivo, com tempo e estudo, o cliente entende que está contratando processo, não apenas imagem.”

Esse formato atrai um público disposto a viajar e investir tempo para realizar o projeto com um profissional específico — comportamento cada vez mais comum em serviços especializados.

Confiança é o novo diferencial competitivo

Em um cenário onde a IA amplia tanto a criação quanto a manipulação, autenticidade virou vantagem estratégica.“A tecnologia aumenta o nível de exigência. Quem usa IA com transparência fortalece confiança. Quem usa para mascarar competência, cedo ou tarde será exposto”, conclui a Dra. Alexandra Beck.

Na era da Inteligência Artificial, escolher um profissional deixou de ser uma decisão estética. Tornou-se exercício de análise, validação e confiança.

E confiança, no ambiente digital, não se improvisa — se constrói.

Como validar a autenticidade de um profissional nas redes

Segundo a Dra. Alexandra Beck, cinco cuidados são essenciais:

  1. Verifique registro profissional
    Confirme se há inscrição ativa no órgão competente (OAB, CRM, CREA etc.). A ausência de registro é sinal de alerta.
  2. Analise a coerência histórica
    Perfis autênticos têm evolução natural, publicações antigas e interação real. Contas recentes com grande volume de conteúdo e pouca interação podem indicar construção artificial.
  3. Pesquise fora das redes
    Busque o nome no Google, LinkedIn, notícias, eventos e sites institucionais. Profissionais legítimos deixam rastros verificáveis.
  4. Observe transparência de dados
    Nome completo, número de registro, empresa vinculada, CNPJ ou endereço profissional aumentam a possibilidade de responsabilização jurídica.
  5. Desconfie de resultados perfeitos demais
    Imagens e depoimentos podem ser manipulados. A autenticidade está na consistência da trajetória e na possibilidade de verificação independente.

Eder Galdino 

É tatuador e artista visual, natural de São Bernardo do Campo (SP), especialista em realismo preto e branco. Formado em Design Gráfico, iniciou carreira como caricaturista profissional, com participações no CQC (TV Band) e no programa do Gugu (SBT). 

Fundador do Arkad Tattoo Studio, integra tecnologia e Inteligência Artificial ao processo criativo com foco em anatomia, exclusividade e projetos autorais. 

Premiado nas duas últimas edições da Tattoo Week — maior convenção de tatuagem da América Latina —, integra o Arkad Tattoo Studio, estúdio que soma nove troféus conquistados em três edições do evento.

Atende clientes do Brasil e do exterior e possui mais de 260 mil seguidores nas redes sociais.

Instagram: https://www.instagram.com/edergaldinotattoo/

Alexandra Beck 

OAB/SC 34.195 e OAB/PR 66.932

É advogada com mais de 18 anos de experiência jurídica, atuando na interseção entre Direito Digital e Tecnologia, com foco na proteção de dados (LGPD), contratos digitais, responsabilidade civil online, compliance e cibersegurança. Mestranda em Educação e fundadora da ABB Advocacia, assessora empresas, startups e profissionais liberais na gestão de riscos jurídicos digitais, garantindo segurança jurídica em ambientes virtuais e inovação com responsabilidade.

Instagram: https://www.instagram.com/abbadvocacia/

Autora:

Kelly Bessa

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