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Biodiversidade da Mata Atlântica inspira drinks em Santa Catarina

Por edicao·
Biodiversidade da Mata Atlântica inspira drinks em Santa Catarina

Jabuticaba, araçá, pitanga, açaí juçara são alguns dos ingredientes que integram a coquetelaria autoral do Restaurante Raízes

Com unidades em Governador Celso Ramos, Florianópolis e Itapema, o Restaurante Raízes reafirma sua proposta de unir gastronomia, pesquisa e identidade ao apresentar uma carta de drinks autorais inspirada na biodiversidade da Mata Atlântica. A coquetelaria, assinada pelo mixologista Julio Carrion, transforma ingredientes nativos em experiências sensoriais que dialogam diretamente com o território catarinense.

A inspiração surgiu do próprio conceito da casa: valorizar produtos locais, produtores da região e a identidade cultural do estado. “Quando eu e o Guilherme, um dos sócios do Raízes, pensamos a coquetelaria da casa, a ideia era criar algo autoral, mas que fosse realmente daqui, catarinense”, explica o peruano Julio, que atua há quase duas décadas em bares e encontrou no bioma da Mata Atlântica um universo de possibilidades.

A pesquisa começou com frutas facilmente encontradas na região, como butiá, araçá, acerola e jabuticaba, e se expandiu para ingredientes menos conhecidos, como o juçara, um tipo de açaí nativo da Mata Atlântica que se tornou protagonista de um dos drinks mais marcantes da carta. No coquetel Juçara, o fruto é combinado com limão cravo, Pisco peruano e Vermouth Dry, unindo a identidade local à trajetória profissional do mixologista, que iniciou sua carreira em restaurantes peruanos antes de se estabelecer em Florianópolis.

Outro destaque é o Oré, preparado com araçá, limão taiti, hidromel catarinense de mate, rum branco e amaretto brasileiro. “A escolha por marcas nacionais e regionais é parte da filosofia do bar na produção dos drinks”, destaca Julio. A pitanga, outra fruta nativa, também ganha protagonismo no drink Assis. A combinação de Tequila, Gin, Licor Alquermes e limão siciliano, traz aromas intensos e tropicalidade.  

Além das frutas da Mata Atlântica, a carta se diferencia pela produção artesanal de insumos. Julio prepara na própria casa limoncello, vermouth de jabuticaba, cordial de tangerina, refrigerante de cúrcuma e até um Mandarinello, um licor de tangerina feito a partir do aproveitamento das cascas. O clássico Cosmopolitan também ganha uma versão local no Jabuti-politan, que substitui o cranberry por jabuticaba fresca e o triple sec por cordial de tangerina produzido no bar.

A sustentabilidade é um eixo central do trabalho. Julio aproveita integralmente frutas e cascas, desidrata ingredientes, transforma resíduos em pós aromáticos e reduz ao máximo o desperdício. No drink Juçara, por exemplo, a casca do limão galego é desidratada, moída e usada como decoração, criando uma camada aromática que reforça o conceito de aproveitamento total.

Os drinks sem álcool seguem a mesma lógica. O Tia-Chica, um dos mais pedidos, combina soda de capim-limão, xarope de gengibre, jabuticaba e limão taiti, resultando em um coquetel equilibrado e refrescante, com a mesma identidade dos drinks alcoólicos.

Com quase 20 anos de experiência, Julio encontrou no Raízes o ambiente ideal para desenvolver uma coquetelaria conectada ao território, à biodiversidade e à cultura local. “A coquetelaria que eu faço aqui é isso: trabalhar com frutos daqui, apoiar marcas locais e seguir pesquisando novos ingredientes da Mata Atlântica”, completa.

Autor:

Juliano Zanotelli

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