Previsões repetidas atitude também

O carnaval se foi. A Páscoa também. E muitos costumam dizer que o ano, enfim, se iniciou e casa vez mais as previsões do tempo mudam. Os desastres naturais começaram há algum tempo.
Me preocupa é que se estendam até as “águas de março “. Não esqueço de chuvas fortíssimas que atingiram o Rio durante as festas e no ano antes da pandemia. Esse ano, janeiro veio cumprindo a tradição de devastação. Fevereiro fez pelo menos duas vítimas fatais no sudeste esta semana pós-Carnaval no sudeste.
São Paulo já registrou mais de 12 mortos em episódio anterior de chuvas fortíssimas, antes do carnaval, e eu não entendo por que o coração econômico do país ainda vê sua capital passar por enxurradas que levam vidas e nada muda.
Será que em nenhum momento instâncias municipais ou federais tentam apresentar, publicizar, chamar atenção da mídia para a necessidade de construir planos de contingência, enquanto se mexe realmente na estrutura das cidades, chegando em casos de áreas como a de uma cidade da Holanda que passou a utilizar hortas caseiras como ensino e exemplo de sustentabilidade em todas as casas de um município?
Ano de eleição e ok. Compreendo manifestações, pautas de aumentos e quedas de bolsas, mas estamos vendo tempestades como a Chandra, na Europa, e nevascas nos EUA. E na Europa e aqui, no Brasil, mortes e efeitos colaterais de tempestades de todo ano.
Equipes de planejamento. Execução de obras durante o ano, plantio de árvores, incentivo ao cultivo caseiro. Educação ambiental. Onde estão ações assim tão simples? Por que deixar tudo se repetir?
Um novo ciclone está para chegar, é bem na semana do carnaval, assunto quase único nas regiões Sul e Sudeste. Tenho curiosidade de saber quais medidas governadores e prefeitos tomaram a respeito. Quais engenheiros estão monitorando estruturas e se há aviso dos riscos à população? E os efeitos sobre plantações e produção, além das vidas?
Trabalhando com legislação ambiental, vi as empresas se adequando, participei de debates e não na massa, fui aos eventos no Brasil e no mundo debater. Fiz meu papel ao apontar o agir.
Só não entendo a inércia de muitos diante de avisos duros e de perigo real. Sendo o Rio de Janeiro um dos estados mais atingidos pelas chuvas incessantes.
Espero estar errada e ser surpreendida por estados e municípios preparados e produções agrícolas e para colheita, preservadas. Realmente espero…
Autora:
Victoria Rizo, CEO da Henvix Ambiental.
Jornalista, Advogada, Especialista em Sustentabilidade.