Por que normalizamos a discórdia?

Ainda que moldados em meio a área tecnológica onde, de certa forma, as
interações humanas estão cada vez mais habituadas aos cliques das telas
digitais, não é difícil perceber o motivo da normalização de tantas brigas e intrigas
em nossa sociedade. O motivo é claro: desaprendemos a dialogar.
Dentre os fatores que contribuem para a banalização desses atritos, destaca-se,
com maior evidência, a polarização política e ideológica, que divide a sociedade
em extremos, incentiva a violência mútua e promove comportamentos radicais e
hostis mundo afora.
Além disso, as redes sociais, com seus algoritmos que propagam conteúdos de
raiva, polêmica e ofensas, têm ganhado cada vez mais força nos últimos anos. O
discurso de ódio, legitimado por comportamentos nocivos e excludentes, somado
a sensação de impunidade, provoca na sociedade sentimentos de repulsa e furor,
levando muitos a adotarem medidas drásticas.
Embora a divergência de opiniões seja um fenômeno natural na interação
humana, a normalização de condutas que visa ferir a honra do próximo para
promover a própria satisfação cria uma barreira excludente. Em vez de manter um
diálogo claro e saudável, essa postura pode levar a confrontos físicos, brigas e
uma série de violências.
Levando tudo isso em conta, a discórdia nada mais é do que um gerador de
audiência. Ela ganha palco, lucro, fama e seguidores. Vivemos no século XXI, na
era da informação, mas, ao contrário do que se espera, em vez de buscarmos o
entendimento, glorificamos o deboche e a intriga, e repudiamos o diálogo e a
escuta.
Autor:
Pedro Henrique Mariano Barbosa é escritor, jornalista, pesquisador e colunista.
Diplomado em Transações Imobiliárias (Apoena) e graduando em Ciências
Contábeis (UNIP).