Jornal Tribuna

O novo papel do CISO na era da convergência

Por Ricardo Syozi·

Por Rafaela Silva, Gerente de desenvolvimento de negócios  na Genetec Brasil

No decorrer de muitos anos, havia uma clara separação entre a segurança física e a segurança cibernética. Ambas seguiam com times, estratégias e tecnologias em trajetos distintos, nem sempre conversando para garantir uma estrutura padronizada. Hoje, essa diferenciação já não faz mais sentido, pois a crescente digitalização de ambientes corporativos exige cada vez mais uma unificação. A expansão da Internet das Coisas (IoT), o uso intensivo de dados e a complexidade dos riscos pedem uma abordagem integrada. É a partir dessa visão que o CISO (Chief Information Security Officer) ganha visibilidade, já que passa a assumir também o protagonismo na proteção do mundo físico como um todo.

Em minha experiência, a convergência entre cyber e physical security não é apenas uma tendência — é uma necessidade estratégica. O contexto brasileiro reforça esse cenário: somente no primeiro semestre de 2025, o país registrou 314,8 bilhões de atividades maliciosas, segundo relatório do FortiGuard Labs, liderando o volume de ataques na região. Sistemas de controle de acesso, videomonitoramento, sensores, elevadores, infraestrutura crítica e dispositivos conectados estão cada vez mais integrados às redes corporativas. Isso significa que vulnerabilidades digitais podem gerar impactos físicos diretos, comprometendo não apenas dados, mas também pessoas, operações e ativos.

Sendo assim, o CISO passa a atuar como um verdadeiro orquestrador da segurança corporativa, com uma visão holística que abrange riscos digitais, físicos e operacionais. Esse executivo não é apenas responsável por desenvolver e implementar a estratégia de cibersegurança de uma companhia, mas precisa também garantir a resiliência do negócio, apoiando decisões estratégicas, promovendo a cultura de proteção e alinhando tecnologia, processos e pessoas.

Assim que esse líder passa a integrar a segurança física e a cibernética em uma única plataforma, as organizações ganham visibilidade, eficiência operacional e capacidade de resposta mais rápida a incidentes. Dados consolidados permitem análises avançadas, aplicação de inteligência artificial, automação de processos e identificação proativa de ameaças. Esse nível de integração reduz o espaço entre setores isolados, otimiza recursos e fortalece a governança.

É claro que não podemos ignorar a conformidade regulatória, ponto fundamental em qualquer nível empresarial. Setores como energia, transporte, óleo e gás, indústria, saúde, tecnologia e setor público lidam com normas cada vez mais rigorosas. A centralização da gestão entre cyber e physical security facilita auditorias, melhora a rastreabilidade das informações e garante maior aderência às exigências legais, ao mesmo tempo em que aumenta a proteção de infraestruturas críticas.

Entretanto, a tecnologia, por si só, não é suficiente — algo que já vivi de perto. É essencial investir na capacitação das equipes, promover treinamentos constantes e fomentar uma cultura organizacional orientada à segurança. O CISO moderno deve atuar também como agente de transformação, conectando áreas e influenciando lideranças. Vale destacar mais uma vez: a capacitação é a palavra-chave neste enquadramento.

O futuro da proteção corporativa passa, inevitavelmente, pela convergência. Empresas que adotarem uma abordagem integrada estarão mais preparadas para lidar com ameaças complexas, reduzir riscos e garantir a continuidade operacional. No fim das contas, o CISO se consolida como um dos principais líderes estratégicos da organização, responsável não apenas por proteger dados, mas por preservar vidas, operações e a própria reputação do negócio.

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