Aluguel cresce 54% no Brasil e abre nova frente de receita para imobiliárias

O avanço do aluguel no Brasil deixou de ser um movimento conjuntural. Ele passou a redesenhar a economia do mercado imobiliário e abriu espaço para novos negócios ligados à moradia.
Dados da PNAD Contínua de 2025, divulgados pelo IBGE, mostram que o número de domicílios alugados cresceu 54,1% entre 2016 e 2025. O total passou de 12,2 milhões para 18,9 milhões de moradias. Com isso, quase um quarto dos domicílios brasileiros já é ocupado por inquilinos.
No mesmo período, a participação dos imóveis próprios já pagos caiu para 60,2% do total de moradias, uma redução de 6,6 pontos percentuais em relação a 2016. Em números absolutos, porém, essa base ainda cresceu. O que mudou foi o ritmo: o aluguel avançou muito mais rápido do que a casa própria quitada.
Essa mudança amplia o mercado de produtos e serviços ligados à locação. Seguro-fiança, seguro contra incêndio, garantias locatícias, consórcios e outras soluções financeiras passaram a fazer parte da mesma cadeia de relacionamento entre proprietário, inquilino, corretor e imobiliária.
É nesse ponto que a Megasegur vê uma oportunidade para o setor. A corretora de seguros, com sede no Recife e atuação nacional, movimentou mais de R$ 100 milhões em negócios em 2025. A operação somou mais de R$ 60 milhões em seguros e cerca de R$ 50 milhões em consórcios.
Agora, a empresa quer levar essa estrutura para dentro das imobiliárias por meio de uma franquia voltada a corretores e administradoras de imóveis. A proposta é incorporar produtos financeiros e securitários à rotina desses profissionais, sem afastá-los de sua atividade principal.
A lógica é simples. A imobiliária já participa da origem do contrato de aluguel. Ela conhece o proprietário, atende o inquilino e acompanha a negociação. Para a Megasegur, parte das receitas geradas por esse relacionamento pode permanecer dentro da operação imobiliária, em vez de ser transferida integralmente a terceiros.
“Quando o aluguel cresce, toda a cadeia ligada à locação cresce junto. A imobiliária não precisa atuar apenas como intermediadora do imóvel. Ela pode ampliar o relacionamento com o cliente e oferecer soluções que já fazem parte da contratação, como seguro-fiança, seguro contra incêndio e consórcios”, afirma Ângela de Paula, fundadora da Megasegur.
O movimento também acompanha a verticalização das cidades. O IBGE aponta que apartamentos já somavam 13,6 milhões de unidades em 2025, o equivalente a 17,1% dos domicílios do país. Entre 2016 e 2025, o número de apartamentos cresceu 48,7%, ritmo bem superior ao avanço das casas.
Para a empresa, esse cenário tende a aumentar a profissionalização da locação e a demanda por soluções que deem mais segurança a proprietários, inquilinos e administradoras. A Megasegur aposta no modelo de franquia como forma de aproximar esse portfólio das imobiliárias e dos corretores.
A tese central é que o aluguel deixou de ser apenas uma alternativa à compra do imóvel. Com quase 19 milhões de domicílios alugados, a locação se tornou uma nova fronteira de receita no mercado imobiliário. A disputa agora é por quem vai capturar esse valor: seguradoras, bancos, corretoras, proptechs ou as próprias imobiliárias.
Autor:
Joaquim Rimoli