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Treinar quem cuida: como a capacitação de pais e profissionais pode facilitar a vida de pessoas autistas e ampliar a socialização

Por Helielma Barcellos·
Treinar quem cuida: como a capacitação de pais e profissionais pode facilitar a vida de pessoas autistas e ampliar a socialização

Por Helielma Barcellos

Resumo executivo

Capacitar pais, cuidadores e profissionais que convivem com crianças e adolescentes autistas não é apenas um complemento ao tratamento. Na prática, muitas vezes é o fator que permite que a intervenção ultrapasse o consultório e chegue ao cotidiano. Assim, estratégias aprendidas em terapia passam a ser utilizadas em casa, na escola e em outros ambientes sociais.

A Organização Mundial da Saúde destaca que intervenções psicossociais baseadas em evidências podem melhorar a comunicação e as habilidades sociais de pessoas autistas. Além disso, essas intervenções também podem trazer benefícios para familiares e cuidadores.

No Brasil, o desafio é duplo. Por um lado, o autismo apresenta grande diversidade de manifestações. Por outro, o país enfrenta desigualdade no acesso a serviços e escassez de profissionais qualificados. Nesse contexto, modelos estruturados de treinamento tornam-se especialmente relevantes.

Entre os modelos mais utilizados estão ABA, TEACCH, PACT e PECS. Além disso, programas de habilidades sociais, manejo comportamental e comunicação alternativa também podem ser ensinados e supervisionados. Quando aplicadas de forma consistente, essas estratégias ajudam a ampliar a participação social da pessoa autista. Treinar quem cuida_ como a capa…


O que é autismo e por que a socialização pode ser exigente

Autismo, ou Transtorno do Espectro do Autismo (TEA), é uma condição do neurodesenvolvimento. A Organização Mundial da Saúde descreve o TEA como um conjunto de condições relacionadas ao desenvolvimento do cérebro. Essas condições costumam envolver dificuldades na interação social e na comunicação.

Além disso, muitas pessoas autistas apresentam padrões de comportamento ou interesses mais restritos e repetitivos. No entanto, a intensidade dessas características pode variar bastante.

Na prática, socialização não significa apenas fazer amigos. Ela envolve compreender regras implícitas da comunicação. Por exemplo, interpretar o tom de voz, entender ironias ou esperar a vez de falar.

Além disso, muitas pessoas autistas precisam lidar com desafios sensoriais. Barulho, luz intensa ou toque inesperado podem gerar sobrecarga. Por esse motivo, o apoio adequado torna-se fundamental para favorecer a participação social.


O que é treinamento para pais e profissionais

Treinamento significa ensinar estratégias práticas para adultos que convivem com a criança. Entre esses adultos estão pais, professores, mediadores escolares, profissionais de saúde e equipes multiprofissionais.

Essas estratégias ajudam a criar oportunidades diárias de comunicação e interação. Assim, habilidades aprendidas em terapia podem ser utilizadas em diferentes ambientes.

Além disso, o treinamento busca manter consistência entre casa, escola e serviços de saúde. Quando as estratégias são semelhantes em todos os contextos, a aprendizagem tende a se generalizar com mais facilidade.


Principais modelos de treinamento

ABA e intervenções naturalistas

A Análise do Comportamento Aplicada (ABA) ensina habilidades por meio de metas observáveis e mensuráveis. Em muitos casos, também são utilizadas variantes naturalistas, conhecidas como NDBI.

Essas abordagens trabalham comunicação, habilidades adaptativas e aprendizagem. Além disso, ajudam a reduzir comportamentos desafiadores.

Meta-análises recentes indicam ganhos em linguagem e habilidades adaptativas. No entanto, os estudos também apontam grande variabilidade entre os resultados. Por isso, a qualidade da implementação é um fator essencial.


TEACCH e ensino estruturado

O modelo TEACCH utiliza organização ambiental e apoio visual. O objetivo é tornar o ambiente mais previsível para a pessoa autista.

Estrutura e previsibilidade

Primeiramente, o ambiente é organizado com rotinas claras. Isso inclui agendas visuais, divisão de tarefas e pistas visuais.

Esses recursos ajudam a reduzir incertezas e aumentam a autonomia da criança.

Impactos observados

Revisões sistemáticas indicam melhora em habilidades de socialização. Além disso, alguns estudos mostram redução de medidas de severidade do autismo.

Em muitos casos, os programas têm duração de três a seis meses. Ainda assim, a intensidade das sessões pode variar bastante.


O que dizem as evidências sobre vida diária e socialização

Estudos recentes apontam dois fatores principais. Primeiro, intervenções estruturadas podem melhorar comunicação e habilidades sociais. Segundo, esses ganhos são mais prováveis quando pais e profissionais dominam as estratégias.

Nesse sentido, o treinamento de adultos é fundamental. Quando estratégias são aplicadas no cotidiano, a criança tem mais oportunidades de praticar habilidades sociais.

Por exemplo, estudos sobre a intervenção PACT mostram melhora na comunicação entre pais e filhos. Além disso, alguns resultados indicam redução sustentada de sintomas ao longo do tempo.

Por outro lado, alguns estudos não encontraram mudanças em certos instrumentos padronizados. Ainda assim, observaram melhorias na comunicação e no bem-estar familiar. Portanto, mudanças na rotina diária também devem ser consideradas resultados relevantes.


Barreiras no Brasil e caminhos possíveis

No Brasil, o acesso a serviços especializados ainda é desigual. Além disso, muitas regiões enfrentam escassez de profissionais capacitados.

Por esse motivo, muitas famílias acabam assumindo o papel de coordenar o cuidado. Elas precisam articular escola, terapia e serviços de saúde.

Entretanto, iniciativas recentes indicam avanços. Um exemplo é o programa Caregiver Skills Training (CST), desenvolvido pela Organização Mundial da Saúde.

Esse programa combina sessões em grupo e visitas domiciliares. Além disso, foi desenhado para ser aplicado também por profissionais não especialistas, desde que supervisionados.

Assim, modelos de treinamento escaláveis podem ampliar o acesso ao cuidado.


https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/autism-spectrum-disorders
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