Sou homem e choro!
Gostaria muito de escrever apenas coisas bonitas e alegres. Falar da orquestra dos pássaros adoçando nosso espírito com seus cantos. Enaltecer a primavera com suas flores multicoloridas. Lembrar das abelhas, trabalhadoras incansáveis, que polinizam o planeta enquanto os pássaros espalham sementes pelo ar.
Muito do que chega à nossa mesa nasce desse vai e vem da natureza — uma dança silenciosa que alimenta nosso corpo e nossa alma.
Também gostaria de escrever poemas reverenciando o Deus Sol e seu harém de estrelas. As estrelas do firmamento e as daqui da terra. As estrelas mais singulares que podemos tocar, conhecer e amar.
Mas confesso, caro leitor: está difícil.
Neste momento em que o homem põe fogo na própria Mãe Terra — com guerras, ganância, egoísmo e falta de empatia — fica difícil acreditar que a vida é bela.
Como um humilde escritor pode fechar os olhos diante da dor que se espalha pelo mundo, cada vez mais bélico? Povos passando fome em várias partes do planeta, enquanto outros enchem seus cofres como o velho Tio Patinhas, personagem criado por Walt Disney.
Eu, sinceramente, não consigo.
Minha alma chora.
Minha alma grita.
As cenas belas que ainda moram no meu coração resistem, mas parecem subjugadas pela brutalidade que insiste em governar o mundo.
Sim, caro leitor, sou homem e choro.
Choro porque quero paz.
Não quero guerra.
Quero viver cada segundo desta vida — amando com paixão ou simplesmente amando o próximo, mesmo quando ele ainda é um desconhecido.
Quero continuar ouvindo os pássaros pela manhã.
Ver as abelhas trabalhando nas flores.
E acreditar que ainda vale a pena dividir este pequeno planeta com outros seres humanos.