Por que as mulheres sentem mais dor no joelho? Entenda a relação com anatomia, salto alto e sedentarismo

Se você já sentiu dor no joelho ao subir escadas, agachar ou depois de um treino, saiba que não está sozinha. As mulheres apresentam maior incidência de problemas na articulação do joelho quando comparadas aos homens, especialmente quadros como condromalácia patelar, dor femoropatelar e lesões do ligamento cruzado anterior (LCA).
A explicação começa na própria anatomia feminina.
“As mulheres têm o quadril naturalmente mais largo, o que aumenta o ângulo entre o quadril e o joelho, conhecido como ângulo Q. Esse desalinhamento gera maior sobrecarga na parte da frente do joelho, favorecendo dores e desgaste da cartilagem”, explica o ortopedista Sérgio Costa.
Essa sobrecarga repetitiva pode levar à condromalácia patelar, um amolecimento e desgaste da cartilagem localizada atrás da patela, condição bastante frequente entre mulheres jovens e fisicamente ativas.
Além da anatomia, os hormônios também entram na equação. A maior frouxidão ligamentar feminina, influenciada por variações hormonais, pode deixar a articulação menos estável e aumentar o risco de entorses e rupturas, como a do LCA, lesão comum na prática esportiva.
O impacto do salto alto
O uso frequente de salto alto também merece atenção. Ao projetar o corpo para frente, o salto altera o centro de gravidade e aumenta a pressão sobre a região anterior do joelho.
“O uso contínuo de salto pode intensificar dores já existentes e favorecer processos inflamatórios na articulação”, alerta Sergio Costa.
Isso não significa abolir o salto do guarda-roupa, mas alternar alturas, limitar o tempo de uso e fortalecer a musculatura pode fazer toda a diferença.
Sedentarismo: o vilão silencioso
Se por um lado o excesso de impacto pode prejudicar, a falta de movimento também é um problema. A musculatura do quadríceps, dos glúteos e do core é fundamental para estabilizar o joelho. Quando esses músculos estão enfraquecidos, a articulação absorve sozinha o impacto das atividades diárias.
“Fortalecimento muscular é a principal estratégia de prevenção. Exercícios orientados, com foco em equilíbrio e estabilidade, reduzem significativamente o risco de dor e lesões”, reforça o especialista.
Quando procurar ajuda?
Dor persistente, estalos frequentes, inchaço ou sensação de que o joelho “falha” não devem ser ignorados. O diagnóstico precoce evita a progressão de lesões e permite tratamento adequado, que pode incluir fisioterapia, ajuste de treino e, em casos específicos, medicação.
Dr. Sérgio R. Costa | @drsergiocosta
Formação em Medicina pela Escola Paulista de Medicina-UNIFESP, 1992-1997.
Especialista pela Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia – SBOT e Associação Médica Brasileira
Especialização em Cirurgia do Joelho e Artroscopia – Escola Paulista de Medicina – UNIFESP/HSP
Mestrado em medicina, Ortopedia – IOT da FMUSP
Membro de sociedades nacionais e internacionais:
Sociedade Brasileira de Ortopedia eTraumatologia–SBOT Sociedade Brasileira de Cirurgia de Joelho-SBCJ
– Sócio-gestor das clinicas Akro e Ortomedica.