Pé diabético: por que pequenas feridas podem levar a complicações graves

Dr. Evandro Reis, especialista em tratamento de feridas, explica por que pessoas com diabetes precisam redobrar a atenção com pequenos machucados nos pés
Lesões aparentemente simples nos pés podem representar um risco importante para pessoas com diabetes. Cortes, bolhas ou pequenos machucados que normalmente cicatrizariam sem dificuldade podem evoluir para feridas mais graves quando a doença não está bem controlada ou quando não há cuidados adequados.
A condição conhecida como pé diabético é uma das complicações mais comuns da diabetes e está relacionada, principalmente, a alterações na circulação e na sensibilidade dos pés.
Segundo o médico e enfermeiro Dr. Evandro Reis, que possui 25 anos de experiência na área da saúde e especialização em tratamento de feridas pela enfermagem, o problema costuma começar de forma discreta, o que faz com que muitos pacientes demorem a procurar ajuda.
“O diabetes pode comprometer a circulação sanguínea e também afetar os nervos periféricos. Isso faz com que a pessoa tenha menos sensibilidade nos pés e, muitas vezes, não perceba pequenos machucados, que podem evoluir para feridas mais graves”, explica.
Por que as feridas são mais perigosas em diabéticos
Em pessoas com diabetes, o processo de cicatrização pode ser mais lento. Além disso, a redução da sensibilidade nos pés faz com que lesões passem despercebidas por mais tempo.
De acordo com o especialista, quando não tratadas corretamente, essas feridas podem se tornar portas de entrada para infecções.
“Uma pequena bolha causada por um sapato apertado, por exemplo, pode evoluir para uma ferida aberta. Se não houver acompanhamento adequado, existe risco de infecção e agravamento da lesão”, afirma o Dr. Evandro Reis.
Outro fator que contribui para o problema é a circulação comprometida, comum em pacientes diabéticos, que dificulta a chegada de oxigênio e nutrientes necessários para a cicatrização.
Sinais de alerta
Alguns sinais indicam que uma ferida nos pés precisa de avaliação médica. Entre eles estão vermelhidão, inchaço, secreção, mau cheiro ou dor persistente.
“Qualquer ferida que demore para cicatrizar ou apresente sinais de infecção deve ser avaliada por um profissional de saúde. Quanto mais cedo o tratamento começa, maiores são as chances de evitar complicações”, orienta o médico.
Cuidados para prevenir o pé diabético
A prevenção é considerada a melhor forma de evitar complicações. Entre as principais recomendações estão a inspeção diária dos pés, manter a pele hidratada, evitar andar descalço e utilizar calçados confortáveis e adequados.
O especialista também recomenda que pacientes com diabetes façam acompanhamento regular com profissionais de saúde.
“O controle da glicemia, a avaliação periódica dos pés e o cuidado com pequenos machucados são fundamentais para evitar que lesões simples evoluam para problemas maiores”, destaca o Dr. Evandro Reis.
Para o médico, a atenção aos sinais do corpo e o cuidado precoce são essenciais para preservar a saúde e a qualidade de vida de quem convive com a doença.
“Muitas complicações podem ser evitadas quando a ferida é identificada e tratada logo no início”, conclui.
Autora:
Daiane Maio