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Mulheres já representam uma parte crescente no setor tech, mas preconceitos ainda limitam sua trajetória

Por patricia lima·
Mulheres já representam uma parte crescente no setor tech, mas preconceitos ainda limitam sua trajetória

Avanço na formação e no mercado esbarra em estereótipos e barreiras culturais persistentes

A participação feminina nas áreas de tecnologia vem crescendo nos últimos anos, acompanhando a expansão do mercado digital e a consolidação de segmentos como programação, engenharia de software e inteligência artificial. Ainda assim, apesar do aumento na representatividade, entraves estruturais continuam impactando a permanência e o avanço profissional das mulheres nesse cenário.

No Brasil, os dados evidenciam essa disparidade. Segundo o estudo W-Tech 2025, do Observatório Softex, mulheres correspondem a apenas 19,2% dos especialistas em tecnologia da informação, embora sejam maioria na população economicamente ativa. Já levantamento da Brasscom indica que a presença feminina no setor de TI alcança 34,2% da força de trabalho, percentual que vem crescendo, mas ainda distante de um quadro de equilíbrio, sobretudo em funções técnicas e cargos estratégicos.

As dificuldades têm início ainda na formação acadêmica. Em cursos superiores ligados à computação e áreas correlatas, a participação feminina permanece abaixo da média do ensino superior. O quadro revela obstáculos que vão além do acesso, envolvendo estereótipos de gênero, falta de referências em posições de liderança e uma construção social que, historicamente, associou raciocínio lógico e tecnologia ao universo masculino.

As barreiras enfrentadas pelas mulheres na ciência também se inserem em um contexto de investimentos historicamente limitados em pesquisa e tecnologia no Brasil. Em 2023, o país destinou cerca de 1,19% do PIB ao setor de pesquisa e desenvolvimento, percentual muito abaixo de líderes mundiais em inovação como Israel (6,35%), Coreia do Sul (4,96%) e Estados Unidos (3,45%). Essa lacuna estrutural ajuda a explicar por que projetos estratégicos enfrentam dificuldades de continuidade. Recentemente, a pesquisadora Tatiana Coelho de Sampaio, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, relatou que precisou usar recursos próprios para manter a patente nacional da polilaminina e que o país perdeu a proteção internacional da tecnologia por falta de verba para pagar as taxas no exterior após cortes orçamentários que afetaram a instituição. O caso evidencia como a instabilidade no financiamento pode comprometer avanços científicos e fragilizar trajetórias de pesquisadoras no país.

Se no setor científico a falta de recursos limita inovações, no ambiente corporativo a desigualdade se reflete na progressão profissional. Mulheres continuam sub-representadas em cargos técnicos de liderança e enfrentam desafios como diferença salarial, acesso restrito a redes de mentoria e vieses inconscientes em processos seletivos e avaliações de desempenho. O debate vai além das estatísticas e exige ambientes organizacionais mais inclusivos, bem como políticas consistentes.

A relevância dessa discussão cresce à medida que a tecnologia redefine a dinâmica econômica global. Com a expansão da inteligência artificial, automação e análise de dados, a diversidade nas equipes de desenvolvimento torna-se estratégica, inclusive para reduzir vieses algorítmicos e ampliar perspectivas na criação de soluções digitais.

Para Cássia Ban, CEO da SuperGeeks, a superação desses desafios precisa começar cedo. “Quando meninas têm contato com programação e lógica ainda na fase escolar, as inovações passam a ser compreendidas como linguagem e ferramenta de criação, não apenas de consumo”, afirma.

Segundo a CEO, ampliar a participação feminina no setor exige mais do que expandir o acesso à formação técnica. “É fundamental criar ambientes seguros para a experimentação, incentivar o protagonismo e reforçar que o desenvolvimento digital é um espaço de construção coletiva. Quanto mais cedo essa mensagem é incorporada, maiores são as chances de romper padrões culturais já enraizados”, explica.

Quando mulheres são incentivadas, apoiadas e reconhecidas em suas trajetórias profissionais, os efeitos extrapolam a dimensão individual. A inovação tende a se fortalecer, os ambientes de trabalho tornam-se mais diversos e a sociedade avança em direção à maior equilíbrio de oportunidades.

“Consolidar essa participação não é apenas uma questão de representatividade, mas de construir um futuro digital capaz de integrar múltiplas perspectivas e ser desenvolvido por todas as vozes”, conclui Cássia. 

Sobre

A rede de franquias SuperGeeks nasceu com o objetivo de formar não somente consumidores, mas também criadores de tecnologia. Desde 2014, a marca assume uma posição importante ao preparar as novas gerações para os desafios e oportunidades do futuro tecnológico, dedicando-se a ensinar programação, robótica e inteligência artificial, de forma lúdica e criativa, atendendo todas as faixas etárias

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