Denise Barretto celebra 30 anos de Mostra Artefacto com o living ‘Memórias, Sonhos e Desejos’
Por edicao·

Em sintonia com o tema Maturidade e os 50 anos da marca, arquiteta apresenta espaço de 120 m² que integra living com lareira, jantar e biblioteca em uma atmosfera de conforto, elegância e atemporalidade
| Há fases da vida em que o tempo deixa de ser medida e passa a ser matéria-prima. Na Mostra Artefacto 2026, que celebra os 50 anos da marca de móveis de luxo sob o tema Maturidade, a arquiteta Denise Barretto, à frente de seu escritório homônimo, traduz essa camada invisível do tempo em arquitetura. Em ‘Memórias, Sonhos e Desejos’, living de 120 m² que integra lareira, jantar e biblioteca, a profissional transforma experiência em espaço, afeto em materialidade e trajetória profissional em atmosfera. Ao completar 30 anos de participação na mostra, Denise encontra no próprio percurso a narrativa do projeto. “Quando conheci o tema Maturidade para a exposição dos 50 anos da Artefacto, eu adorei… porque é como me sinto na profissão”, afirma. Entre tons de marrom, texturas naturais e luz bem desenhada, o ambiente convida à convivência, à introspecção e à celebração, três dimensões que, para ela, definem o viver bem. Conceito do projeto |
![]() |
| Entre as pedras naturais usadas pela arquiteta Denise Barretto, destacam-se os mármores Nero Marquina e Marrom Imperador, presentes como tampos das mesas de apoio do living, e o quartzito Chivas sobre a lareira | Foto: Raphael Briest |
| “Pra mim, maturidade é uma conquista de experiência, baseada na história e na revelação do conhecimento profundo de si mesmo”, define a arquiteta. Em sua visão, ela acolhe com tranquilidade e se abre ao novo, percebido com sensibilidade para acrescentar o que faz sentido. A partir dessa leitura, o espaço se organiza em três núcleos simbólicos. A Memória se manifesta no jantar e no bar, locais de celebração e convívio, os Desejos ganham forma no living, representados pelo vermelho e pela lareira que aquece e congrega, enquanto os Sonhos ocupam a biblioteca, um ambiente mais intimista associado ao conhecimento, à imaginação e ao voo, simbolizado por detalhes mais claros e pela presença das nuvens. “Essa é minha visão de uma morada com direito aos três conceitos“, resume Denise Barretto. Layout e espacialidade |
![]() |
| O quadro Invasor I, de Daniel Senise, serviu como ponto de partida para o projeto de Denise Barretto que celebra o tema Maturidade | Fotos: Raphael Briest |
| O projeto explora plenamente o pé-direito generoso de 3,20 m. Três paredes recebem boiserie em madeira Canela, enquanto a empena de entrada é revestida com seda natural tramada em tear artesanal, introduzindo textura e sofisticação logo no acesso. O jogo entre cheios e vazios é um dos recursos centrais da proposta e a circulação principal conecta os três ambientes sem o uso de paredes, promovendo integração com leveza e sensação de respiro. O forro treliçado em madeira e toda marcenaria sob medida, executados pela SCA Jardim Europa, coroa o espaço e reforça a unidade visual. Na biblioteca, o rebaixo do teto delimita a área de introspecção e acolhimento. |
![]() |
| Outro destaque são os arranjos feitos com maestria pela arquiteta Denise Barretto, a exemplo do conjunto no centro da mesa de jantar com flor de alho e antúrio | Fotos: Raphael Briest |
| Paleta de cores |
![]() |
| No living, a pintura de Henrique Oliveira, chamada Debris, marcado por pinceladas expressivas e um padrão complexo de cores neutras e vermelhas, que contrastam com os marrons do projeto de Denise Barretto | Foto: Raphael Briest |
| A base cromática é composta por uma profusão de tonalidades de marrom – cerca de 30 variações que percorrem madeiras, camurças, couros, lacas, mármores italianos e brasileiros e o veludo dos sofás. A escolha relaciona elementos naturais ao conceito do interior. Tapetes claros com matérias-primas como a lã natural, funcionam como grandes rebatedores de luz, iluminando o ambiente de baixo para cima. Pontuações de vermelho e ouro – este último em alusão aos 50 anos da marca –, aquecem a composição e reforçam a ideia de valor e celebração. Materiais e texturas |
![]() |
| Em uma elegante profusão de materiais e formas, Denise Barretto vestiu algumas paredes com seda Himalaia Sauvage, que tem propriedades acústicas, desenhou o teto com um tramado de madeira e, atrás da cortina de linho, apostou na luminosidade da tela solar | Foto: Raphael Briest |
| Madeira Canela, madeira esculpida escura e assoalho de cumaru estruturam o projeto. Já o veludo marrom, seda natural indiana tecida em tear, couro e camurça ampliam a experiência tátil. Para a arquiteta, a boiserie e os tecidos nobres sintetizam sua maturidade profissional. “Os materiais estão completamente associados ao tempo de profissão e à experiência nas escolhas”, explica. A seda artesanal, proveniente de um pequeno fornecedor, carrega ainda a preocupação com a preservação de uma cadeia produtiva tradicional. Iluminação calorosa O projeto luminotécnico evidência pequenas luminárias, discretamente inseridas no forro, que formam um desenho ritmado em tons claros e escuros. O objetivo da profissional foi o de implementar uma ambiência acolhedora e com focos especiais direcionados às obras de arte. Para complementar, três grandes aberturas cenográficas, executadas com tela solar, simulam janelas e contribuem para a leveza do espaço. Piccola Biblioteca |
![]() |
| Intimista e acolhedora, a biblioteca de Denise Barretto é envolvida pela marcenaria com tons calorosos e mobiliário solto que convida ao conforto e ao toque | Foto: Raphael Briest |
| A Piccola Biblioteca (pequena biblioteca, em italiano) materializa o território dos Sonhos dentro do projeto. Mais intimista e acolhedora, ela se distingue pelo rebaixamento estratégico do forro, que proporciona uma atmosfera de recolhimento e introspecção. Segundo Denise, a solução nasceu também de uma necessidade técnica: ali passava um ramal principal do ar-condicionado, que levou à decisão de posicionar nessa faixa tanto a lareira quanto a pequena biblioteca, transformando uma limitação estrutural em recurso arquitetônico. O forro mais baixo, executado na mesma madeira do fundo, acentua a sensação de unidade e envolvimento. “Os Sonhos estão na Biblioteca, conhecimento, imaginação, poder voar num momento mais intimista”, afirma a arquiteta. Nesse núcleo mais reservado, o desenho espacial traduz essa intenção: um ambiente que parece abraçar quem o ocupa, delimitado pelo teto e pelo fundo na mesma madeira, como se o espaço envolvesse o visitante. “É um ambiente repleto de detalhes mais claros para liberar o voo”, completa Denise, ao associar a biblioteca à dimensão mais introspectiva e imaginativa da maturidade. Mobiliário e obras de arte |
![]() |
| No espaço de Denise Barretto para a mostra Artefacto, viver em plenitude envolve mais do que acolher: significa abrir-se ao novo e conviver com o que faz sentido | Foto: Raphael Briest |
| O mobiliário da Artefacto reforça a narrativa do projeto, com peças como a mesa de jantar Versa, a cadeira Daphine, os módulos Maddox III, as poltronas Papillon e Luna, além de mesas de centro e laterais de desenhos orgânicos e lúdicos. “O sofá Maddox, todo em veludo, com tato envolvente e linguagem monocromática, assume o conceito central do projeto”, destaca Denise. Para ela, conforto é um valor diretamente ligado à maturidade assim como a atemporalidade do design. Entre as referências que permeiam o espaço estão o Estúdio Branco & Preto, marco do design moderno brasileiro, e o livro Ressuscitar Mamutes, de Silvana Tavano, que aborda a memória como elemento plástico e criativo. “Memória é plástica… Você reinventa o passado e inventa o futuro a partir de uma expectativa”, cita a arquiteta. Com palavras-chave como conforto, proporção, elegância e atemporalidade, ‘Memórias, Sonhos e Desejos’ traduz o tema da mostra ao refletir sobre a maturidade também a partir da própria trajetória da Artefacto. Para Denise, o conceito dialoga com a solidez construída pela marca ao longo de cinco décadas, marcada pela qualidade de execução e pela permanência do design. “Para mim, maturidade é a experiência de conhecer e entender a vida. Ou ainda, conhecer e entender o que você fabrica do modo que faz sentido”, afirma a arquiteta. |
Autor:
Alexandre Agassi






