Jornal Tribuna

Construção em aço cresce no Brasil, mas setor opera com metade da capacidade: a integração digital é o caminho para escalar

Por edicao·
Construção em aço cresce no Brasil, mas setor opera com metade da capacidade: a integração digital é o caminho para escalar

Contexto e oportunidade editorial

O setor brasileiro de construção em aço vive um paradoxo. Segundo dados do Centro Brasileiro da Construção em Aço (CBCA), a produção de estruturas metálicas atingiu 1,07 milhão de toneladas em 2023, com faturamento de R$ 17,2 bilhões, um crescimento de 6,2% em relação ao ano anterior. Dados da

No entanto, a capacidade produtiva instalada do setor é de 2,34 milhões de toneladas, ou seja, a taxa de utilização está em apenas 46%.  Do ponto de vista industrial, o setor poderia dobrar sua produção sem novos investimentos em plantas fabris. O desafio está menos na infraestrutura instalada e mais na competitividade, previsibilidade e eficiência da cadeia.

Entre fatores estruturais como crédito, ciclo imobiliário e dinâmica regional da demanda, especialistas apontam também um gargalo menos visível — a maturidade digital da cadeia produtiva. Um dos gargalos mais subestimados está na desconexão de dados entre as etapas de projeto, detalhamento e fabricação. Quando o modelo digital do detalhista não conversa com o banco de dados do fabricante – perfis, materiais, acabamentos, disponibilidade – o resultado são retrabalhos, atrasos e custos que corroem a competitividade de toda a cadeia.

A pauta

A matéria proposta aborda como a transformação digital, com foco na metodologia BIM (Building Information Modeling) e em fluxos de trabalho conectados, pode destravar o potencial de crescimento da construção em aço no Brasil. A reportagem pode explorar:

  • O paradoxo da capacidade ociosa: A tese central é que ganhos de eficiência operacional — e não apenas expansão de demanda — podem ser o próximo vetor de crescimento do setor, ampliando margens em um ambiente de custos pressionados.
  • Os silos de dados entre projeto e fabricação: como a desconexão entre detalhistas e fabricantes gera retrabalho, erros de submissão e atrasos que encarecem os projetos
  • O papel do BIM na industrialização da construção: como ambientes comuns de dados e modelos validados conectam o fluxo do modelo ao metal, reduzindo desperdícios e acelerando entregas
  • Sustentabilidade como consequência da eficiência: Estudos setoriais indicam que estruturas metálicas podem reduzir significativamente o tempo de execução — em alguns casos, até 40% quando comparadas a métodos convencionais, a depender do tipo de projeto e grau de industrialização. Além disso, a maior precisão digital reduz perdas de material e retrabalhos, contribuindo para menor geração de resíduos em obra e melhor rastreabilidade de insumos — aspectos cada vez mais relevantes em critérios ESG e financiamentos estruturados.
  • O cenário competitivo global vs. Brasil: enquanto países como EUA e Europa utilizam aço em 60-70% das construções, o Brasil está na faixa de 15%. A digitalização pode acelerar essa adoção. A diferença não está apenas na disponibilidade de material, mas na maturidade da industrialização, padronização de processos e integração digital da cadeia — fatores que explicam parte da defasagem brasileira.

Dados de apoio

IndicadorDado
Produção de estruturas de aço (2023)1,07 milhão de toneladas (CBCA) / 1,5 milhão de toneladas incluindo pré-fabricados (IBGE/ABCEM)
Faturamento do setor (2023)R$ 17,2 bilhões — crescimento de 6,2% vs. 2022 (CBCA)
Capacidade produtiva instalada2,34 milhões de toneladas — taxa de utilização de 46% (CBCA)
Crescimento do faturamento em 5 anosDe R$ 7,1 bi (2019) para R$ 17,2 bi (2023) — quase triplicou (CBCA)
Receita líquida de vendas/kg (estruturas)R$ 6,75/kg em 2023 vs. R$ 4,23/kg em 2013 (IBGE/ABCEM)
Produção de Light Steel FrameCrescimento de 27,7% em 2023 vs. 2022 (CBCA)
Reciclabilidade do aço100% reciclável sem perda de propriedades; ~30% da produção brasileira vem de reciclagem
Redução de tempo de obra com estrutura metálicaAté 40% menor vs. métodos tradicionais
Uso do aço na construção — Brasil vs. EUA/Europa~15% no Brasil vs. 60-70% em países desenvolvidos

Fontes: CBCA/E8 Inteligência (Pesquisa Cenário dos Fabricantes 2024), ABCEM/IBGE (PIA-Produto, jul/2025), Instituto Aço Brasil, World Steel Association.

Autor

Romulo Fernandes

Comentários

Deixe um comentário