Viajando com ladrões!

Depois de um longo período longe da academia, levantei-me animado, coloquei uma bermuda e a roupa de ginástica na mochila e fui para o ponto de ônibus. Trata-se de um trajeto curto que eu faço há um bom tempo; nunca havia acontecido nada. Desta vez, o ônibus estava razoavelmente cheio. Notei a presença de um elemento estranho perto de mim, mas não podemos julgar ninguém pela aparência, diz o dito popular. Que pena que não segui meu instinto e me afastei desse indivíduo de cara esquisita. Eu estava muito feliz para pensar em qualquer coisa ruim; estava de boa, como se diz na gíria.
Quatro pontos apenas e eu estaria no clube, pronto para colocar o corpo em ordem fazendo minha ginástica. Mas, caro leitor, numa metrópole como São Paulo – apenas sampa, como é carinhosamente conhecida –, tudo pode acontecer. Aqui, “se cochilar, o cachimbo cai”, e foi isso o que me aconteceu. Cochilei ao colocar minha carteira, com dinheiro e cartões de crédito, no bolso lateral da bermuda que eu estava vestindo. Não deu outra: quando desci do ônibus e procurei a carteira, ela já havia seguido viagem, sem mim, nas mãos daquele “gatuno”. Eu até senti um toque leve no bolso, mas não dei importância e, pasmem, em menos de trinta minutos – que foi o tempo que liguei para minha mulher para bloquear e cancelar os cartões – ele, ou eles, já haviam sacado uma boa quantia no cartão, que era por aproximação.
Aprendi pela dor e agora nunca mais quero utilizar a facilidade da tecnologia que é usar o cartão por aproximação – vou colocar senha, de preferência uma com muita complexidade, para não dar mole aos golpistas. Nos próximos, não quero essa facilidade tecnológica. Enfim, um dia que era para ser alegre se transformou num terrível transtorno, para cancelar e solicitar a segunda via de todos os meus documentos, fora a quantia em espécie que eu carregava na carteira. A partir de hoje, quando entrar em um coletivo, todos serão suspeitos até prova em contrário!