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Se você desligasse hoje o celular por uma semana, quem seria a pessoa que iria até sua casa para saber se você está bem?

Por edicao·
Se você desligasse hoje o celular por uma semana, quem seria a pessoa que iria até sua casa para saber se você está bem?

Pare um instante e imagine. Nenhuma notificação. Nenhuma ligação inesperada. Nenhuma mensagem perguntando se está tudo certo.

O celular desligado, esquecido em algum canto da casa, enquanto os dias passam lentamente. Um, dois, três… sete dias. A vida segue para todo mundo. As pessoas continuam postando, comentando, reclamando, vivendo. E você, em silêncio.

A pergunta surge quase sem pedir licença e aperta onde costuma doer mais: quem perceberia sua ausência de verdade? Não quem reagiria a uma foto antiga. Não quem mandaria um “sumido” por hábito. Mas quem estranharia o silêncio.

Quem pensaria que algo não está normal e decidiria ir até sua casa, bater à porta, chamar seu nome?

A tecnologia nos deu a sensação de estarmos sempre próximos. Mas proximidade não é presença.

Estamos conectados o tempo todo e, ainda assim, cada vez mais distantes.

Conversas profundas viraram mensagens rápidas. Afeto virou figurinha. Preocupação virou visualização sem resposta. A gente acredita que está cercado de gente quando, muitas vezes, está apenas cercado de telas.

Desligar o celular por uma semana não é só um teste de desapego digital. É um espelho honesto. Ele revela quem realmente ocupa espaço na nossa vida e para quem nós também fazemos falta. Mostra quem se importa a ponto de sair de casa, enfrentar o tempo, o trânsito, a rotina, só para saber se você está bem.

Talvez a resposta seja alguém da família. Talvez um amigo que não fala todo dia, mas sente quando algo foge do normal. Ou talvez a resposta seja ninguém. E isso acontece mais do que as pessoas gostam de admitir. Encarar isso não é fraqueza. É consciência.

Essa pergunta não existe para machucar. Ela existe para acordar.

Ela lembra que vínculos não se constroem com curtidas, mas com presença real. Que cuidado não é só mensagem, é gesto. E que, se hoje ninguém iria até sua casa, ainda dá tempo de construir relações mais verdadeiras. Às vezes, tudo começa sendo você a pessoa que vai. A pessoa que aparece. A pessoa que se importa.

No fim, talvez a pergunta mais importante não seja quem iria até sua casa.

Talvez seja para quem você iria, se o silêncio fosse do outro lado.

Vale pensar nisso. Antes que o barulho constante do mundo nos faça esquecer do que realmente importa.

Autor:

Alberto Gamboggi

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