Ramadã entre sacralidade, modernidade e costumes

No mês de Ramadã, considerado um dos pilares da religião islâmica, os muculmanos se abstêm de comer de tudo de alvorada ao pôr do sol.
O muculmanos fazem face ao novos modos de vida em geral, longe de tecer laços de integração como antes, sendo hoje as coisas antigas se desintegram, anotando-se poucos hoje que observam os preceitos do ramadã, levados a cumprir, apenas como um dos cinco pilares da religião islâmica, sem, portanto, aproveitar os costumes hábitos e ritos da tradição do profeta.
Considerado este mês de encontros familiares e adoração, como foi durante muitas décadas, hoje o surgimento de tendência ocidental e novas maneiras de fazer, romperam com os laços familiares, sendo muitos jovens planejam suas próprias vidas longe dos laços, dos hábitos, ritos e tradições antigas.
Uma das razões disso, são as despesas e custo de vida, um verdadeiro “pesadelo”, preocupante, que acompanha as pessoas na chegada de cada Ramadã, alterando o modo de vida com o alto custo de vida, e dos produtos básicos.
Tais fenômenos socioeconômicos são uma ferramenta que influencia através desses novos hábitos estrangeiros, inaceitáveis, complicando e invadindo as privacidades dos crentes, durante anos.
Um passeio por algumas das principais cidades durante o Ramadã, Rabat, Casablanca, ou a até noutras cidades de reino, observa-se nos cafés e restaurantes abertos desde cedo, servindo clientes não-jejuantes, e marroquinos habituados a sentar nesses estabelecimentos à espera do pôr do sol.
Assim, o Ramadã se resume para alguns, cujo hábito não é só se abster, mas sim o seu aspecto puramente religioso e essência; manter as práticas culturais concomitantes, dado preparo de diversas refeições do Iftar, ler o alcorão, e fazer outros deveres espirituais, longe dos hábitos renováveis da vida moderna, entre comer e divertir, ou aproveitar realizar visitas familiares sem incentivo às crianças pequenas a jejuar, ou ainda a celebrar, como ‘pequeno heroísmo’, longe das características culturais e religiosas, “desaparecedores” e “surgidores” de outras influências modernas, nada a ver com a tradição profética.
Provocando deliberadamente outros comportamentos, a título de quebrar o jejum publicamente nas ruas ou online, jubilando ou demonstrando a falta de tato e compreensão, sem que ninguém os obrigue ou a forçar a jejuar.
O Alcorão Sagrado é claro sobre este assunto: “sim o seu Senhor quiser, seriam todos crentes, mas não obrigue as pessoas a serem?” (Surata Yunus, versículo 99).
Finalmente, o número de jejuantes frequentes das mesquitas durante o Ramadã é muito importante, em relação aqueles que mantêm a inspiração religiosa e fortalecimento espiritual, essência dos crentes piedosos, devotos e bons cidadãos, contra aqueles que uma vez terminar o mês, são levados por razões mundanas, com características diferentes, duplas, hipocrisia e duplicidade comportamental.

Autor:
Lahcen EL MOUTAQI, Professor Universitário, tradutor, pesquisador sobre assuntos de Mercosul, Brasil e Marrocos