Primeiro grito de carnaval

As ondas cortavam no fundo, chacoalhando quando batiam na areia, espumando de enjoo e se desfazendo de dor, elas aguardavam.
Subo na moto, um pé de cada vez. Ela arranca, quase a todo vapor, só para ser parada um pouco a frente por um sinal de três tempos. Aguarda… Arranca de novo, dessa vez, quase que de maneira definitiva, até ser parado por mais um sinal bem um quarteirão à frente. Aguarda mais uma vez… Arranca de novo, desta vez para valer – passou primeira, segunda, terceira, acho que até na quarta passou, sempre se lembrando da embreagem e cuidado no acelerador.
– moto automática é melhor, é só acelerar! Disse o motora com as palavras levadas pelo vento.
Vento esse que parecia frio. Como se houvesse água no ar. Olhei pra cima, definitivamente tinha água no ar, ou estava prestes a cair muita. Um céu negro. Só pensava se chegaria lá antes dessa chuva cai, quando de repente… Os primeiros respingos, esses que são fracos e que acabaram sendo, somente um aviso.
E lá estava, em toda sua gloria, uma rua amontoada de almas, onde só os mais aventureiros tentava atravessar de carro ou moto, a que eu estava parou bem no inicio. Caminhei até onde era confortável. Encontrei um conhecido aqui outro ali, até o encontro de muitos, que se juntaram todos em um grande grupo.
Um evento de extrema euforia, com bebidas de todas as cores e todos os sabores, uma verdadeira alquimia alcoólica.
OBS: O seu autor, com fins de relatar esta historia não bebeu muito para se atentar a veracidade dos fatos. No entanto, um pouco de tudo foi consumido.
As mulheres tinham os olhos muito bonitos, esses também assim como a bebida, tinham muitas cores, eram de uma extrema beleza arrasadora.
Até que adivinhem? Ela veio, e veio forte. Caiu com toda sua força. Espessas gotas que mais pareciam tiros cuspidos pelas nuvens. Corremos para casa mais próxima de um membro daquele grande grupo. Todos se acomodaram meio apertados, uns chegaram a se conhecer melhor, outros nem tanto, mas todos muito bem tratados.
A chuva passou, ela era aquelas que late, late, mas não morde – essas passam rápido.
Voltamos à rua. Mais bebida. Beijos aqui, beijos ali. Mais gente conhecida, umas que até não queriam ser vistas. Em geral um mar de boas almas, quem estou enganando? Algumas muito mal intencionadas. Paranoia. Paranoia. Muita policia na rua. A mão sempre no celular. Uns dançam livremente e outros não sabem dançar.
Mas o que mais posso dizer? Foi uma noite proveitosa, até o cansaço bater. Aí arranjei uma moto automática, essas que são mais fáceis de pilotar, já que é só acelerar. Fui à praia mais próxima e me banhei no mar. Ao fundo, o sol nascia.