Calor, folia e energia: quanto de proteína consumir para aguentar a maratona do Carnaval

Com ensaios de blocos e Carnaval não oficial já tomando as ruas do Rio e de outras capitais, especialistas alertam para a importância da hidratação e do consumo adequado de proteínas durante os dias de festa
O Carnaval ainda não começou oficialmente, mas as ruas do Rio de Janeiro e das principais capitais do país já estão tomadas por ensaios de blocos, festas abertas e eventos que exigem resistência física em meio a altas temperaturas. Com termômetros, frequentemente, acima dos 35 °C, a hidratação costuma ser o principal alerta das autoridades de saúde. No entanto, especialistas chamam atenção a outro fator decisivo para manter a energia, evitar o cansaço excessivo e reduzir riscos à saúde: o consumo adequado de proteínas.
De acordo com a Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN), a proteína é um macronutriente essencial para a manutenção da massa muscular, recuperação do organismo e equilíbrio metabólico, funções que ganham ainda mais importância em períodos de esforço físico prolongado, como o Carnaval. Caminhar longas distâncias, dançar por horas e permanecer em pé sob o sol intenso elevam o gasto energético e favorecem a perda de líquidos e eletrólitos.
A nutróloga Karla Confessor, especialista em emagrecimento sustentável e reposição hormonal, explica que, para adultos saudáveis, a ingestão diária de proteína costuma variar entre 1,0 e 1,2 grama por quilo de peso corporal, conforme recomendação adotada por sociedades médicas. Em situações de maior desgaste físico, esse valor pode chegar a 2,0 g/kg, desde que distribuído na alimentação e associado a uma boa hidratação que, em média, deve ser de 30 a 40 ml de água por kg de peso ao longo do dia.
“Durante o Carnaval, muitas pessoas acabam pulando refeições, exagerando no consumo de álcool e reduzindo a ingestão de alimentos nutritivos. Isso favorece a queda de energia, perda de massa muscular e até episódios de mal-estar”, afirma Karla.
Segundo ela, o consumo de alimentos proteicos ajuda a manter a saciedade, estabiliza os níveis de glicose no sangue e contribui para uma recuperação mais rápida após longos períodos de atividade.
A médica reforça que a ingestão não deve se concentrar em apenas uma refeição.
“O ideal é fracionar ao longo do dia, priorizando opções leves e de fácil digestão, especialmente no calor. E sempre associar à ingestão regular de água, água de coco ou bebidas isotônicas, principalmente, para quem consome bebida alcoólica”, orienta.
A ABRAN também destaca que a desidratação, quando combinada ao esforço físico e ao consumo insuficiente de nutrientes, pode aumentar o risco de câimbras, tonturas e queda de pressão arterial. Por isso, a alimentação pré e pós-bloco é considerada estratégica para quem pretende aproveitar a folia com segurança.
Nesse contexto, a escolha da fonte de proteína faz diferença. Para o chef Manuel Vieira, da Conservas Ramirez, a proteína de peixe é a mais indicada para os dias quentes.
“São alimentos mais leves, com fácil digestão e que podem ser consumidos frios ou em preparações rápidas, ideais para quem passa o dia na rua”, explica.
O chef sugere opções práticas e acessíveis, como saladas, sanduíches, wraps e pratos frios com atum, sardinha ou até bacalhau, que podem ser preparados com antecedência.
“Além de fornecer proteína de qualidade, esses alimentos auxiliam na manutenção da disposição, sem gerar desconforto ou sensação de peso”, afirma.
Para os especialistas, o recado é claro: curtir o Carnaval com equilíbrio não significa abrir mão da diversão, mas sim adotar estratégias simples de cuidado com o corpo. Alimentação adequada, hidratação constante e escolhas inteligentes podem ser decisivas para atravessar a maratona da folia com mais energia, saúde e disposição até o último bloco.
Autora:
Jéssica Leiras