Ronco: distúrbio que compromete bem-estar e convivência

Entenda como o distúrbio do sono pode afetar a convivência e a intimidade dos casais
Cerca de 40% da população adulta do Brasil sofre com o ronco, sendo 24% homens e 18% mulheres, segundo a Associação Brasileira do Sono (ABS). A condição afeta o bem-estar e a convivência de casais, como alerta a Sleep Foundation, acrescentando que o ronco é uma das razões para o aumento de conflitos e a redução da empatia no dia a dia.
Pesquisa conduzida pela organização estadunidense revela que o ronco afeta o sono de 75% dos parceiros. As principais consequências das noites mal dormidas são a sonolência no dia seguinte, o mau-humor e a falta de energia durante o estudo ou trabalho.
O interesse sexual dos casais também pode ser afetado. A ABS explica que dormir mal é um fator de risco para a redução da libido. Em situações de falta prolongada de sono, o organismo passa a priorizar processos vitais, reduzindo naturalmente o desejo sexual.
Casais optam por ‘divórcio do sono’
Por vezes, a solução que os parceiros encontram para reconquistar o descanso noturno é chamada de “divórcio do sono”. A American Academy of Sleep Medicine (AASM) detalha que os casais acabam decidindo dormir em camas, quartos ou até casas separadas.
No entanto, a AASM alerta que esse comportamento pode abalar a intimidade do casal. A procura por um otorrino é a resposta mais adequada para o retorno do bem-estar. A “Cartilha do Sono 2025”, documento disponibilizado pela ABS, orienta que é importante estar atento aos sinais e sintomas dos distúrbios do sono e procurar auxílio médico para o diagnóstico e o tratamento.
A ABS explica que as principais funções restauradoras, como a síntese de proteínas, a consolidação da memória e a reposição hormonal, acontecem durante o descanso noturno. Logo, defende que “o sono reparador é uma necessidade biológica”, mas “pode ser afetado por inúmeros fatores, impactando na saúde física e mental humana”.
No curto prazo, o ronco afeta a disposição e o humor, causando problemas de memória e a queda nos rendimentos dos estudos e do trabalho. No entanto, a privação do sono por conta desse distúrbio traz consequências mais graves com o passar do tempo.
Ronco pode ser sinal para doenças mais graves
O Ministério da Saúde descreve que existem mais de cem distúrbios do sono. A insônia e a apneia obstrutiva do sono são as condições mais comuns. O bruxismo, o movimento periódico das pernas e o sonambulismo são outros exemplos.
Há casos que podem exigir o encaminhamento para um cirurgião geral. A intervenção para ampliação da passagem de ar a partir da remoção de tecidos e estruturas que causam obstrução é considerada quando os tratamentos não cirúrgicos não apresentam o resultado desejado.
Os distúrbios do sono estão associados a doenças metabólicas, como a obesidade e resistência à insulina; cardiovasculares, como a hipertensão arterial e doença arterial coronariana; gastrointestinais, como é o caso do refluxo; psiquiátricas, como depressão e ansiedade; e neurológicas, como epilepsia e alterações cognitivas, de acordo com o Ministério da Saúde.
Hábitos para melhorar a qualidade do sono
A Cartilha do Sono 2025 oferece orientações para as pessoas que têm dificuldade na hora de dormir. Ir para a cama somente quando estiver cansado e manter uma rotina regular no horário de deitar e levantar são exemplos de hábitos saudáveis.
A ABS destaca que os adultos necessitam, em média, de sete a nove horas de sono por dia, mas as condições e os limites individuais devem ser respeitados na análise de duração do descanso.
A prática regular de exercícios físicos é indicada. O principal alerta é não realizar a atividade três horas antes de se deitar. O consumo de alimentos e bebidas que contenham cafeína deve ser evitado nas seis horas anteriores ao período de dormir.
A mudança no estilo de vida se torna uma necessidade para quem ronca e não quer ver o bem-estar do seu relacionamento em risco. Perder peso e parar de fumar são outras recomendações do documento da ABS. A realização de tratamentos para alergias e doenças respiratórias também é sugerida.
Outro alerta da Cartilha do Sono 2025 é a automedicação. O uso de medicações para o sono sem prescrição médica, inclusive a melatonina, deve ser evitado.
Com relação ao ambiente, o quarto deve ser mantido escuro e silencioso durante a noite. O uso de luz branca ou azul deve ser evitado. Além disso, animais que atrapalham o sono devem ser mantidos fora do quarto.
Autora:
Nathani Paiva