Jornal Tribuna

Eles precisam ser mais valorizados!

Por Jaeder Wiler·
Eles precisam ser mais valorizados!

Avenida Paulista. Ela já foi o centro financeiro da cidade. Hoje, ainda é um cartão-postal desta grande metrópole. O trânsito intenso corta uma fileira de arranha-céus. É palco de grandes passeatas. Se algum movimento social quer fazer barulho, não importa de qual partido político — seja esquerda, centro ou direita —, certamente o local escolhido é essa majestosa avenida.

Há um bom tempo, aos domingos, ela é fechada para automóveis e ônibus. Assim, milhares de pessoas, inclusive turistas, reúnem-se ali para diversas atividades: correr, andar de bicicleta, patinar, usar patinetes, fazer demonstrações de dança, passear com os filhos ou simplesmente caminhar sozinhas. Há grupos se exibindo em diferentes atividades. Mas, nas calçadas, em ambos os lados, há centenas de trabalhadores artesanais. Eles chegam bem cedo e armam suas barracas. Vendem de tudo: quadros, fotografias, brincos, pulseiras, camisetas, bandeiras e uma infinidade de outros souvenires… Cada um com sua especialidade de artista. Muitos podem ser chamados de artistas de rua, principalmente os músicos e cantores que alegram a avenida, esperando que alguém deposite uma moeda em seus chapéus cuidadosamente colocados perto do local onde se apresentam.

Trata-se de um batalhão de trabalhadores informais que ganham seu pão de cada dia em pontos estratégicos ao longo de toda a avenida. Ela é extensa — creio que com alguns quilômetros, embora não saiba precisar ao certo. Estão espalhadas por toda a extensão da Paulista barracas improvisadas com algum tipo de utensílio para venda. Todos esses trabalhadores têm um medo em comum: o rapa! Quem não tem autorização da prefeitura corre o risco de perder toda a mercadoria. Não é só nos finais de semana. Há artistas de rua a semana inteira, mas é no domingo que fazem a festa. Quero dizer, fazem o caixa.

Eu não estou de fora. Aproveito todo esse movimento para vender meus livros. E lá vendo mais do que nas livrarias. Já fiz vários amigos por lá: dona Hélia, com seu carrinho de pipocas, que vive mudando de lugar para fugir do rapa — alimentos são o único item proibido para vender na rua —; tem também a Kelly, que comercializa utensílios feitos de capim dourado, matéria-prima de brincos, carteiras, pulseiras… que parecem feitos de puro ouro. É a cor natural do capim, coisa do Nordeste. Ela trabalha a semana inteira em uma barraca fixa, quase em frente ao Sesc. É uma batalhadora, um exemplo de mãe. Durante toda a semana, com seu filho de aproximadamente quatro anos, ela está por lá, religiosamente!

São trabalhadores do Brasil. Informais ou não, precisariam ser mais valorizados. Sou testemunha do quanto é suado ganhar o pão de cada dia trabalhando nas ruas…

Autoridades, permitam que as pessoas trabalhem…

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