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Dica de Leitura: “Mulheres, Raça e Classe” de Angela Davis – Uma Crítica Interseccional Essencial

Por Manuel Flavio Saiol Pacheco·
Dica de Leitura: “Mulheres, Raça e Classe” de Angela Davis – Uma Crítica Interseccional Essencial

O livro Mulheres, Raça e Classe, publicado originalmente em 1981 e no Brasil em 2016 pela Boitempo, representa uma análise pioneira de Angela Davis sobre as interseções entre raça, gênero e classe na história das mulheres negras nos Estados Unidos. Davis, filósofa marxista e ativista dos direitos civis, reconstrói eventos desde a escravidão até os movimentos sufragistas e abolicionistas, revelando como o feminismo hegemônico branco excluiu sistematicamente as experiências das mulheres negras. Sua obra denuncia o racismo endógeno no feminismo tradicional, que priorizava demandas de mulheres brancas de classe média, ignorando as opressões híbridas vividas por negras escravizadas ou proletárias.?

Davis inicia examinando o período escravagista, onde mulheres negras trabalhavam tanto quanto homens, sofriam violências idênticas e tinham sua reprodução explorada como mercadoria, refutando mitos de matriarcado ou proteção doméstica. Ela destaca a resistência dessas mulheres, que aprenderam leitura clandestinamente e formaram redes familiares apesar da desumanização, contribuindo para lutas posteriores por educação e igualdade. Essa narrativa histórica expõe como colonialismo e capitalismo fundaram desigualdades raciais que persistem, exigindo uma visão interseccional para compreender opressões simultâneas.?

No movimento abolicionista e sufragista, Davis revela contradições: mulheres brancas como Elizabeth Cady Stanton e Susan B. Anthony aliavam-se inicialmente a abolicionistas negros, mas priorizaram o voto feminino branco após a Reconstrução, traindo a causa racial. Alianças potentes surgiram em campanhas por educação negra pós-emancipação, provando sororidade possível quando baseada em solidariedade real contra hierarquias. Davis critica também o movimento negro patriarcal e o operário classista, que negligenciavam gênero ou raça, mostrando um “vínculo ideológico profundo entre racismo, viés de classe e supremacia masculina”.?

Essa perspectiva permanece vital em 2026, especialmente no Brasil, onde desigualdades raciais, de gênero e classe ecoam na política municipal e reformas tributárias, demandando análises interseccionais para políticas inclusivas. Davis convida a uma luta anticapitalista unificada, onde experiências marginalizadas das mulheres negras desestabilizam estruturas opressivas, promovendo emancipação coletiva. Sua obra urge movimentos sociais a romper eurocentrismos, integrando interseccionalidade para uma transformação real.

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