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Dica de Leitura: “Estigma” de Erving Goffman – A Manipulação da Identidade em Tempos de Julgamento Social

Por Manuel Flavio Saiol Pacheco·
Dica de Leitura: “Estigma” de Erving Goffman – A Manipulação da Identidade em Tempos de Julgamento Social

Erving Goffman, em sua obra seminal de 1963, desconstrói o estigma como uma marca social que deteriora a identidade, transformando indivíduos em “pessoas estragadas e diminuídas” aos olhos da sociedade. O livro revela como o estigma surge da discrepância entre a identidade social virtual, baseada em expectativas normativas, e a identidade social real, marcada por atributos que desafiam o padrão. Essa análise microssociológica, enraizada na Escola de Chicago, expõe as interações cotidianas como arenas de poder onde normais e estigmatizados negociam aceitação.?

Goffman classifica o estigma em três tipos principais: abominações do corpo, como deficiências físicas; culpas de caráter, envolvendo transtornos mentais ou sexualidade; e atributos tribais, como origem étnica ou religiosa. Cada categoria reduz a “potência de existência” do indivíduo, excluindo-o de relações plenas e impondo estratégias de gerenciamento, como esconder o atributo ou provar excelência em outras áreas. No Brasil contemporâneo, isso ecoa em preconceitos contra pessoas em situação de rua, deficientes ou minorias raciais, onde olhares e fofocas perpetuam a discriminação.?

Os estigmatizados vivem em constante tensão, oscilando entre desconfiança, hostilidade e isolamento, enquanto buscam validação de “iguais” ou “informados”, como familiares ou profissionais. Goffman destaca que normais também sofrem em contatos mistos, lidando com embaraços morais, mas o ônus maior recai sobre os marcados, que devem policiar cada gesto. Essa dinâmica reforça o controle social, mantendo hierarquias invisíveis.?

Em era de redes sociais, o estigma ganha velocidade: algoritmos amplificam estereótipos, como em trends que exaltam corpos “normais” e silenciam desvios, atualizando as lições de Goffman para o digital. Superar isso exige compreender o estigma como relacional, não individual, promovendo empatia e desconstrução de normas excludentes. A obra urge uma sociedade que veja além das marcas, restaurando a humanidade plena.?

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