Copa africana das Nações, um patrimônio cultural e civilização

Marrocos, país organizador do maior evento Africano Copa das Nações, Dezembro 2025, aos 18 de Janeiro 2026, constitui uma ocasião única para valorizar o rico patrimônio africano, cultura e civilização, como contribuições históricas e contemporâneas.
Este evento da Copa Africana das Nações, é considerado como uma oportunidade para Marrocos, refletir estes progressos pelas fotografias, vídeos e instalações interativas, dodo patrimônio arqueológico e natural, da era das pinturas e gravuras rupestres e cantos africanos.
Narrando sobre a história da África, o berço da humanidade, onde o Marrocos “Terras de Primórdios, de vasta extensão do Vale do Rift, de terra da guarda memória dos primeiros passos, fossilizados de ferramentas de pedra, bem como da história da lenta formação da humanidade, dos primeiros movimentos de descoberta e olhares voltados ao céu.
O exemplo do Vale do Omo, planalto etíope, e colinas de Jebel Irhoud do Marrocos, coincidindo sobre os vestígios arqueológicos dos antigos ancestrais, Homo sapiens, do passado, do silêncio; do contrário, e da sussurra pedra, das gravuras rupestres, e monumentos esculpidos ao longo dos séculos.
Tal descoberta africana, não se tornou apenas o berço da humanidade, mas sim o lar do pensamento, de arte e ponto de partida da primeira visão da humanidade sobre o renascimento e existência.
Referendo-se a Líbia e Argélia, rico estudo dos sítios da cultura francesa e italiana, inscritos, respectivmente na Lista do Património Mundial, rico Tadrart Acacus, planalto rochoso de milhares de pinturas rupestres em estilos completamente explorados, por mais de 21.000 a.C. e em muitos séculos I d.C., com profundas mudanças de vidas animais e vegetais, estilos de vida dos povos do Deserto e Saara.
Quanto às pinturas rupestres dos fósseis, constituindo nas cruciais matéria de estudo da evolução da humanidade, do Lago Turkana, Etiópia, da antiga capital egípcia, Tebas, e da civilização egípcia, evoluída no auge dos templos e palácios, Karnak e Luxor, e nos túmulos do Vale dos Reis e Rainhas.
Para Nigéria, país da África Ocidental, envolve um tesouro de diversidade cultural, de paisagens deslumbrantes e história fascinantes, onde “Floresta Sagrada de Osun Ashogbo”, atravessando o Rio Osun, templos, esculturas de monumentos artísticos erguidos em homenagem a Osun, às divindades iorubás, florestas sagradas da cultura iorubá, ou dos costumes outrora, sítios sagrados e cavernas .
Em relação a Benin e Togo, suas contribuiçoes sustentam a paisagem cultural de Kotamako, de moradias arcaicas, pomares, nascentes, rochas sagradas, e ou encostas nas terraços e plantas de moradias, rituais e crenças de Batamariba.
Para Uganda, os túmulos dos príncipes de Buganda são para preservar uma era antiga, ocupando uma área de 30 hectares de colinas, de sítio cultivado com métodos tradicionais; rituais religiosos e espirituais, de fé e tradição ancestral, bem como de igrejas esculpidas na rocha do Monte Lalibela, unidades arquitetônicas, do Moçambique e Angola, e dos “círculos megalíficos”, do Senegal e Gâmbia; objeto das antigas cidades queniana de Lamu, rochas de coral, e madeira de mangue.
Quanto ao centro de estudos das culturas islâmica e suaíli”, do século XIX, formando “vestígios da capital do antigo Reino do Congo” e “Cidade de Pedra de Zanzibar”, na Tanzânia, notável estilo da cidade comercial costeira; suaíli da África Oriental .
Tal cultura forjada pela UNESCO tem sido ferramentas do rico patrimônio da humanidade, da mistura de elementos de culturas africana, árabe, indiana e europeia, florescendo assim ao longo de mais de mil anos.
Em relação à Tunísia, o “sítio arqueológico de Cartago”, o império comercial da região do Mediterrâneo e atlântico, constituem o centro comercial e civilização, dos territórios de Roma durante as Guerras Púnicas”, e da capital maliana de Timbuktu, sede da importante mesquita congregacional de Sankore e escolas corânicas, dos séculos XV e XVI, um rico capital intelectual e espiritual do Islã na África.
Para as mesquitas de Djinguere Ber, Sankore e Sidi Yahya, remontam a uma era de ouro, sendo restauradas no século XVI, sob ameaças do avanço de dunas de areia. Enquanto a Burkina Faso, conheceu um Corte Real de Tibilé, um verdadeiro complexo arquitetônico de tijolos de barro do século XVI, resultado de organização social de valores culturais, em favor do povo Kassina, e mulheres cabanas, únicas guardiãs desse conhecimento e tradição ancestral.
Para a Mauritânia , os antigos palácios de Ouadane, Chinguetti, Tichitt e Oualat, cidades fundadas nos séculos XI e XII, formam caravanas do deserto do Saara, com fé, crença religiosa, bases da cultura islâmica.
Enfim a cidade histórica de Grand-Bassam, da Costa do Marfim, de capital portuária, de economia judicial, traduzindo as complexas relações sociais entre europeus e africanos e, posteriormente, o movimento nacionalista de independências, dos Andes do Chade, as paisagens de arcos naturais, colunas rochosas, os picos e penhascos, titulos de milhares de pinturas e gravuras nas superfícies de cavernas, nas coleções de arte rupestre do Saara, sobretudo no Monte Mulanji, do Malawi, e dos rituais sagrados associados, às Cataratas Vitória, em Zâmbia e Zimbábue, as cachoeiras magníficas do litoral sudeste africano, à paisagem cultural de D-Jed-Bi, de Camarões, e a profunda conexão cultural e espiritual, entre a humanidade e meio ambiente.
Tal encruzilhado patrimônio africano, do Mediterrâneo e do Atlântico, reflete o caso do Marrocos, de expansão cultural e espiritual, das cidades de Rabat, Tetuão, Volubilis, Meknes, Marraquexe, Essaouira, Fez, El Jadida, ou do Ksar de Ait Benhaddou, região de Ouarzazate, terras da expansão, de “civilizações ininterrupta, e dos povos nativos de tradições ancestrais, ao longo dos séculos, de tecido do saber e de reflexão, de fé a harmonia e resistência.
Autor:

Lahcen EL MOUTAQI
Professor universitário, pesquisador sobre assuntos do Mercosul, Brasil e Marrocos