Jornal Tribuna

Um anjo da guarda de aço!

Por Jaeder Wiler·
Um anjo da guarda de aço!

Quando fiz dezoito anos, a primeira coisa que fiz — sem pensar duas vezes — foi tirar carta para pilotar moto e dirigir automóveis. Era um objetivo que estava no meu radar desde sempre. Trezentos e cinquenta cilindradas: pura diversão, trabalho… liberdade! Sim, depois de adquirir a supermoto, passei — na minha cabeça — a ser um super-herói.

Exibia-me ao chegar ao trabalho. E nos finais de semana, destino certo: a famosa rua Augusta, para paquerar. Ah, a moto… Era, sem dúvida, cinquenta por cento da conquista! Manobras exibicionistas funcionavam como cartão de visita. Várias garotas — algumas vindas do interior, só para curtir sampa (como chamamos carinhosamente São Paulo) — se aproximavam. Garotas corajosas, sem medo de acidente. Simplesmente subiam na garupa… e acelerávamos a vida! Voando baixo por esse mundão afora. Esse era o meu lema.

Às vezes, esticávamos até o Guarujá, no litoral paulista. Saindo da rua Augusta, vencíamos esse trajeto em menos de uma hora! Imagine, caro leitor, a velocidade… Acelerava ao máximo, tirava tudo da moto. O velocímetro cravava duzentos por hora — esse era o limite. Se fôssemos calcular a média, uns cento e vinte por hora, talvez mais. E isso, com o peso da garupa grudada em mim.

Velhos tempos… Não me lembro de radares na estrada naquela época. Existia, sim, o famoso vigilante rodoviário — mas tive sorte: nunca fui parado. Meu anjo da guarda era forte. Fortíssimo!

Livrou-me de acidentes, especialmente quando pilotava na chuva. Imaginem: duas rodas, debaixo de chuva, na Imigrantes… Uma verdadeira roleta russa! E, ainda assim, nada aconteceu.

Provavelmente, Deus me designou um anjo especial… Um anjo da guarda de aço! Assim, vivi aventuras tresloucadas com minha moto e, hoje, estou aqui — são e salvo — contando essa história.

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