Marrocos: Mercado de Trabalho entre oportunidades e ameaças estruturais

Marrocos, país do norte da África, sua economia tem bases comerciais e industriais, além de atrações socioeconômicas e culturais, profundamente enraizadas, no modelo do mercado marroquino a crescer com o tempo.
O mercado de trabalho no Marrocos, segundo o relatório do Centro Africano de Estudos Estratégicos e Digitais, sede em Tânger, norte do país, fronteira com Espanha, detém uma estrutura “forte e competitiva”, entre “oportunidades e ameaças estruturais”.
Tal relatório considera “o Mercado de Trabalho Marroquino, hoje frágil; mas foi mantido entre Oportunidades do Futuro”, “de economia nacional de sucessos setoriais, de indústria automotiva, de dinamismo dos preparativos da Copa do Mundo 2030, além da visão sobre a precariedade e fragilidade preocupante dos demais setores”, e do ” modelo atual de desenvolvimento, de cautela e flutuações junto ao mercado europeu, garantizador de parte dos empregos nos setores da construção civil, do turismo e serviços, e de natureza circunstancial e temporal”.
Esta independência do Mercado marroquino vem aprofundar ainda mais as “transformações de longo prazo, da inteligência artificial e mudanças climáticas”, e dos ” desafios da crise do médio prazo desta dependência Europeia, objeto da indústria e serviços; reféns das políticas protecionistas e ambientais, ou da prosperidade junto à Copa do Mundo, ‘bolha’, a estourar, após 2030, com milhares de trabalhadores sem alternativas”.
Esta análise das profundas forças transformadoras, de inteligência artificial, de meio ambiente e mudanças no conceito de trabalho, mantém relações sólidas entre empregado-empregador, e “futuro do movimento sindical”.
Recomendações Estratégicas

Recomendações estratégicas, associadas ao horizonte e desenvolvimento do mercado de trabalho no Reino, 2050, no curto prazo, conforme o Centro Africano de Estudos Estratégicos e Digitais, são ligados ao ” plano nacional de 2030; da força de trabalho, da diversificação simultânea dos mercados junto à África e às Américas”, de parcerias de cooperação internacional, Marrocos-Brasil, ” e do fundo, da reabilitação dos trabalhadores de call center, título de quadro jurídico e proteção dos trabalhadores de plataformas digitais”.
As recomendações de médio prazo são atentos “a reforma das leis trabalhistas”, a ” revolução da formação profissional e digital, a produção local de componentes estratégicos, bem como a inovação sindical”.
No longo prazo, “experimentar uma renda básica universal, uma semana de trabalho de quatro dias, e um sistema nacional de formação ao longo da vida”.
“Uma Encruzilhada”
O ano 2025, o mercado de trabalho no Marrocos” foi objeto de encruzilhadas, oportunidades promissoras, riscos estruturais preocupantes, conquistas da indústria automotiva e preparativos para sediar a Copa do Mundo, 2030, cujo modelo econômico consolida uma dependência excessiva da Europa e restrições circunstanciais, vulneráveis às futuras transformações globais”.
Os números oficiais são de uma taxa de desemprego nacional de aproximadamente 13,3%, passando para 37% entre os jovens, e 20% entre as mulheres, uma vez que a taxa de emprego ficou em 43%, uma fraca participação feminina de 18%.”
Segundo os dados do Banco Mundial sobre o Marrocos, essas porcentagens revelam uma crise profunda, dois terços de trabalhadores do setor informal, os quais são mantidos privados de proteção social, de disparidades geográficas exacerbadores, de contradições nos níveis de empregos nas cidades costeiras, em contraste com a marginalização das regiões do interior”.
Interrogando sobre “esta economia industrial marroquina, quase inteiramente dependente do mercado europeu”, com mais de 80% de exportações automotivas destinadas à França e Espanha?.
Essa dependência foi criticada pelo relatório, “tornando a indústria do Marrocos, vulnerável às políticas europeias rigorosas, ao imposto sobre o carbono e a transição em relação aos carros elétricos, e as fragilidades de cadeias locais”.
Quanto ao setor do turismo e serviços (setor terciário), o qual depende “do setor de call center marroquino, 80%; do mercado francês, face às contradições, diferenças e vulnerabilidade da nova legislação europeia”.
São “Milhares de empregos que dependem da Copa do Mundo, eles vão desaparecer, após 2030; se os planos proativos não forem estudados e planificados, de modo implementado pelo período pós-evento”.
Oportunidades de Transformação
O desenvolvimento da inteligência artificial e transformação digital passa a constituir um dos setores promotores, “abrir o caminho para a criação de novos empregos, altamente qualificados, eliminar empregos rotineiros”, atender “a economia verde para criar meio milhão de empregos de longo prazo em energia renovável e gestão sustentável”.
Para o “aumento do trabalho freelancer” e a “economia por tarefa”, representando, por outro lado, um desafio em termos da “modernização da legislação e da garantia de proteção social deslocável”.
No setor internacional e continental, o Mercado de trabalho como setor chave, passa a ser cada vez mais competitivo, dada a forte concorrência de países africanos emergentes, caso da Etiópia e Gana, em termos de indústrias leves, face às grandes empresas asiáticas ou latino -americanas emergentes. Objeto da transformação da infraestrutura portuária, de oportunidades e plataforma logística, bem como de cadeias de suprimentos globais, ou de digitalização e infraestrutura inteligente”.
Três Cenários Possíveis
Assim, três cenários para o desenvolvimento do mercado de trabalho no Marrocos são apontados, o futuro da economia nacional vai continuar dependente da capacidade dos atores de escolha “, objeto do caminho de transformação real”.
Para o “cenário de expansão”, das perspectivas promissoras, as quais combinam a transformação verde e digital, a reforma da educação e formação, “criando um milhão de empregos de alto valor agregado até 2040”, face ao “cenário de crise” de “riscos decorrentes da dependência contínua, do mercado europeu e da potencial; onda de desemprego após 2030”.
Para o “cenário intermediário”, relativo à “diversificação da economia social, a ausência das reformas estruturais profundas”, ao estado de fragilidade crônica, a economia vulnerável e flutuações, refletindo o enfraquecimento da capacidade e desafios futuros.
Tal baixa taxa de participação sindical do mercado marroquino, 3%, perante o número de trabalhadores independentes e plataformas digitais”; constitui “a base de novas questões, em termos de direito à separação digital e à proteção de dados, e sindicatos, no sentido da defesa de parceria, formulação de políticas de transição em prol da economia futura”.
Concluindo sobre “o Marrocos e suas escolhas, consciente de oportunidades, desafios e ameaças, bem como de refém das flutuações externas, moldando o futuro, a diversificação de parcerias, a consolidação do valor agregado interno, o investimentos maciços no capital humano, momento crucial de formulação de um novo contrato social, impulsionador do desenvolvimento sustentável e proteção de gerações futuras”.
Autor:
Lahcen EL MOUTAQI
Professor universitário, pesquisador dos assuntos do Mercosul, Marrocos – Brasil
