Jornal Tribuna

Loucura ou realidade

Por Jaeder Wiler·
Loucura ou realidade

Hoje me levantei com a macaca. Os nervos estavam à flor da pele, e os pensamentos, desconexos, faziam uma verdadeira dança dos átomos — ou melhor, das minhas moléculas. Decidi iniciar uma viagem pelo meu interior, então coloquei meu barco para navegar pela corrente sanguínea.

Primeiro, segui pelas veias que percorrem minhas pernas, depois pelas dos braços e das mãos. Em seguida, atravessei meus órgãos internos: fígado, rins, pulmões. Estava tudo quente, muito quente! Mas, ao chegar ao coração, o calor aumentou tanto que achei que estava prestes a ter um infarto.

Respirei com dificuldade, mas o oxigênio em maior quantidade fez sua parte. O nível do meu estresse baixou. Na minha mente, visualizei um cenário de praia, e a noite estrelada, com a brisa suave e úmida. Senti-me bem!

Embarquei nas lembranças, nas boas lembranças. Uma antiga paixão apareceu quase em carne e osso; peguei-a pelas mãos e caminhamos juntos pelo passado, numa viagem em velocidade de cruzeiro, acompanhados pela lua e pelas estrelas. Pensei: como é possível todas essas cenas estarem dentro de mim?

Será isso puro sentimento, desencadeado por minhas melhores memórias? Sim, parece que eram, porque logo em seguida o cenário mudou para a minha infância. Nadei em rios limpos e cheios de peixes. Será tudo isso uma alucinação? indaguei-me.

De repente, tudo ficou turvo. Novamente, meu sistema nervoso anunciava um possível colapso. Resisti. Busquei uma lembrança mais atual. Sabe o que encontrei? Encontrei você, meu amor, minha vida, minha paixão. Só mesmo você para dar sentido à minha existência.

Entre a possibilidade de estar louco e a realidade, preferi dar adeus à alucinação. E, no fim das contas, fiquei com você — o porto seguro da minha loucura.

Comentários

Deixe um comentário