Jornal Tribuna

Cinema: O Começo de Tudo – “Transformers: O Início”

Por Manuel Flavio Saiol Pacheco·
Cinema: O Começo de Tudo – “Transformers: O Início”

Há um fascínio peculiar nas narrativas que decidem revisitar as origens, desnudando mitos e transformando antigos inimigos em irmãos que simplesmente erraram o caminho. “Transformers: O Início”, lançado em 2024 sob a direção de Josh Cooley, é um mergulho profundo no universo de Cybertron, longe das paisagens terrestres que permeiam os demais filmes da franquia. Aqui, está ausente o humano, sobra o robô, e floresce o drama existencial.?

No centro da trama é a relação entre Orion Pax (futuro Optimus Prime) e D-16 (futuro Megatron), dois mineradores, dois amigos, quase irmãos, em suas jornadas para se tornarem arquiinimigos. O roteiro habilmente escrito por Andrew Barrer e Gabriel Ferrari transforma a rivalidade em tragédia, explorando a ruptura entre os dois — ruptura que definirá o destino de Cybertron e, consequentemente, de todo o universo dos Transformers.?

A animação, tecnológica e vibrante, traz vozes icônicas como Chris Hemsworth e Brian Tyree Henry no original, enquanto a dublagem brasileira nos presenteia com Romulo Estrela e Klebber Toledo. O planeta Cybertron é retratado como um organismo vivo, com suas contradições, conflitos de classe e dilemas políticos, numa metáfora clara das sociedades que insistem em construir e destruir.?

Disponível nas plataformas Netflix e Paramount+, “Transformers: O Início” se impõe como o precursor cronológico da franquia — uma ponte entre a inocência e o caos, entre a fraternidade e o desespero. O filme, com duração de 1h44min, flerta com o épico ao propor que escolhas, mesmo impossíveis, são feitas com a alma dilacerada pela condição de ser diferente, de se buscar justiça diante do inexorável.?

Este filme convida à reflexão sobre liderança, amizade, destino e traição: como a pureza da intenção pode sucumbir ao desejo de poder? Não é sobre tecnologia, explosão ou carro transformável; é sobre a tragédia da separação e a melancolia que reside no coração do líder solitário. E, sobretudo, é sobre como nossas próprias guerras internas fazem de todo o universo um palco de batalhas infinitas, onde cada um carrega um pouco de Orion, um pouco de D-16.

Nota: 8,5/10

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