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Setembro Amarelo e Setembro Verde: Entre a dor do silêncio e a celebração da vida

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Setembro Amarelo e Setembro Verde: Entre a dor do silêncio e a celebração da vida


O mês de setembro tornou-se, nos últimos anos, símbolo de campanhas que buscam
sensibilizar a sociedade para questões fundamentais. O Setembro Amarelo é amplamente
reconhecido como o mês da prevenção ao suicídio, uma temática urgente em um mundo
marcado pela solidão, pela ansiedade e pelo desespero de muitos que não encontram
sentido em continuar vivendo. Contudo, pouco se fala do Setembro Verde, voltado para a
valorização da vida, para a doação de órgãos e para a consciência de que a existência deve
ser preservada e compartilhada. Essa desigualdade de visibilidade merece reflexão: por que
falar da morte ainda mobiliza mais que falar da vida?
Um exemplo literário ajuda a pensar o tema. O livro Os Sofrimentos do Jovem Werther,
publicado por Goethe em 1774 e relançado em várias edições no Brasil, entre elas a de
1994, tornou-se um marco na literatura mundial. A narrativa epistolar expõe os dilemas de
Werther, um jovem tomado por uma paixão impossível e por angústias existenciais que o
levam ao suicídio. A obra, à época, gerou o chamado “efeito Werther”, um aumento
significativo de suicídios entre jovens leitores que se identificaram com o personagem. Mais
de dois séculos depois, ainda ecoa como alerta: as dores da alma, quando silenciadas,
podem se tornar insuportáveis.
O Setembro Amarelo surge, então, como contraponto a esse silêncio. Em tempos em que
crianças, adolescentes e jovens adultos figuram entre os grupos mais vulneráveis ao
suicídio, a campanha é fundamental para quebrar tabus, estimular o diálogo e oferecer
apoio. O Brasil registra números alarmantes nesse campo: segundo a Organização Mundial
da Saúde, o suicídio é uma das principais causas de morte entre jovens de 15 a 29 anos.
Mais grave ainda é constatar o crescimento dos índices entre crianças, que revelam um
cenário de adoecimento precoce da saúde mental.
No entanto, enquanto se fala de prevenção da morte, o Setembro Verde permanece em
segundo plano. Ele lembra que a vida pode e deve ser celebrada, prolongada, cuidada.
Seja no incentivo à doação de órgãos, seja na valorização de práticas que preservem a
saúde física e mental, o Setembro Verde representa a contraface luminosa do Amarelo: não
apenas evitar o fim, mas cultiva a continuidade da vida.
Falar de Setembro Amarelo sem dar espaço ao Setembro Verde pode ser um sinal de que
ainda estamos mais acostumados a reagir às tragédias do que a promover a vitalidade. A
literatura de Goethe mostra o poder de uma narrativa sobre o fim; mas é preciso que, como
sociedade, sejamos capazes também de construir narrativas que mostrem a potência da
vida, mesmo em meio à dor.
Portanto, refletir sobre esses dois meses é refletir sobre duas dimensões complementares:
a necessidade de prevenir a morte e a urgência de cultivar a vida. Que possamos dar voz
tanto às angústias dos jovens, impedindo que a história de Werther se repita em nossos
dias, quanto às esperanças que o Setembro Verde simboliza, para que viver não seja
apenas sobreviver, mas uma experiência de plenitude e sentido.

Autora:

Sonele Fábia Silva dos Santos

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