Jornal Tribuna

Solitude: o encontro com a paz interior

Por Jaeder Wiler·
Solitude: o encontro com a paz interior

Nascemos envoltos no aconchego do outro, dependentes das mãos que nos alimentam e do calor que nos acolhe. Nos primeiros passos, a vida se constrói a partir do toque, da presença, do olhar atento que nos guia pelos corredores do desconhecido. É assim que aprendemos, quase sem perceber, que somos feitos de dependência e desejo: desejo de pertencimento, desejo de volta ao colo, à simplicidade dos primeiros dias.

Quando adulto, o mundo se abriu diante de mim como um livro de páginas infinitas, cada uma repleta de paisagens novas e promessas misteriosas. Sonhei com horizontes distantes, com lugares onde pudesse ser inteiro, onde a alma encontrasse eco. Por vezes, quis retornar à dependência primordial, ao conforto de ser cuidado, protegido dos abismos da autonomia. Os sonhos, por vezes, puxam para trás, para o tempo em que tudo era mais simples, mais seguro.

Vivi. Vivi muito. E nessa travessia, entre partidas e chegadas, aprendi que o amor é vento que ora nos impulsiona, ora nos fere. A dor ensina com mãos firmes, mas o amor também é mestre. Em cada giro pelo mundo, cada abraço e cada adeus, a alma se molda, se aprofunda, se renova. E, no fim, quando as vozes se calam e resta o silêncio do quarto, compreendi: solidão não é solitude.

Solidão é ausência, é vazio que pesa no peito, é falta de sentido na companhia de si mesmo. É querer o outro como espelho, como resposta, como fuga do próprio silêncio. Solidão dói, machuca, pede companhia para preencher os espaços lacunares da existência.

Solitude, porém, é encontro e não falta. É o estar inteiro consigo, no espaço onde a paz se derrama suave sobre os pensamentos. É aceitar o silêncio e descobrir nele a música da própria essência. Solitude é o quarto iluminado pelo sol da tarde, é o livro aberto sobre a cama, é o respirar profundo sem pressa, sem urgência. Não é isolamento, mas presença: presença de si, presença do mundo, presença da vida em estado de contemplação.

No final, percebi que solitude é liberdade. É saber que, mesmo só, estou completo. É celebrar a quietude, transformar o quarto no universo, sentir que o tempo desacelera e a alma repousa. Solitude acolhe, consola, revela. É a paz encontrada na companhia mais íntima: a própria.

Assim, vivo a solitude como quem descobre o jardim secreto da existência, sem medo do silêncio, sem fuga da ausência. Porque, afinal, sou suficiente. No meu quarto, em paz com a vida, encontro o sentido de estar – e de ser.

Nascemos envoltos no aconchego do outro, dependentes das mãos que nos alimentam e do calor que nos acolhe. Nos primeiros passos, a vida se constrói a partir do toque, da presença, do olhar atento que nos guia pelos corredores do desconhecido. É assim que aprendemos, quase sem perceber, que somos feitos de dependência e desejo: desejo de pertencimento, desejo de volta ao colo, à simplicidade dos primeiros dias.

Quando adulto, o mundo se abriu diante de mim como um livro de páginas infinitas, cada uma repleta de paisagens novas e promessas misteriosas. Sonhei com horizontes distantes, com lugares onde pudesse ser inteiro, onde a alma encontrasse eco. Por vezes, quis retornar à dependência primordial, ao conforto de ser cuidado, protegido dos abismos da autonomia. Os sonhos, por vezes, puxam para trás, para o tempo em que tudo era mais simples, mais seguro.

Vivi. Vivi muito. E nessa travessia, entre partidas e chegadas, aprendi que o amor é vento que ora nos impulsiona, ora nos fere. A dor ensina com mãos firmes, mas o amor também é mestre. Em cada giro pelo mundo, cada abraço e cada adeus, a alma se molda, se aprofunda, se renova. E, no fim, quando as vozes se calam e resta o silêncio do quarto, compreendi: solidão não é solitude.

Solidão é ausência, é vazio que pesa no peito, é falta de sentido na companhia de si mesmo. É querer o outro como espelho, como resposta, como fuga do próprio silêncio. Solidão dói, machuca, pede companhia para preencher os espaços lacunares da existência.

Solitude, porém, é encontro e não falta. É o estar inteiro consigo, no espaço onde a paz se derrama suave sobre os pensamentos. É aceitar o silêncio e descobrir nele a música da própria essência. Solitude é o quarto iluminado pelo sol da tarde, é o livro aberto sobre a cama, é o respirar profundo sem pressa, sem urgência. Não é isolamento, mas presença: presença de si, presença do mundo, presença da vida em estado de contemplação.

No final, percebi que solitude é liberdade. É saber que, mesmo só, estou completo. É celebrar a quietude, transformar o quarto no universo, sentir que o tempo desacelera e a alma repousa. Solitude acolhe, consola, revela. É a paz encontrada na companhia mais íntima: a própria.

Assim, vivo a solitude como quem descobre o jardim secreto da existência, sem medo do silêncio, sem fuga da ausência. Porque, afinal, sou suficiente. No meu quarto, em paz com a vida, encontro o sentido de estar – e de ser.

Comentários

Deixe um comentário