Retrocesso Made in USA: Liberdade de Expressão Só Para Quem Cala as Mulheres

Comecemos pelo espetáculo: nada como acordar, abrir as notícias e dar de cara com o secretário de Defesa dos EUA compartilhando alegremente um vídeo com pastores dizendo que mulher não deve votar. Sim, isso mesmo: enquanto o planeta discute viagens a Marte, parte do governo da autoproclamada “maior democracia do mundo” está ocupada querendo nos convencer de que a urna eletrônica é lugar de homem.
A imagem é tão reveladora que parece uma peça publicitária do século XIX, só falta o filtro sépia. Liberdade de expressão? Claro! Mas só se for para propagar discursos que cheiram à naftalina da opressão, misturados com pitadas de fanatismo religioso e saudades de um tempo em que as mulheres estavam no papel de figurante. Ah, a democracia deles é assim: quem merece voz é quem repete as cartilhas do privilégio.
E, como não poderia faltar, a exportação desse modelo: afinal, por que transformar apenas o próprio país numa colônia patriarcal retrógrada se dá para estender a receita para o Brasil? Aqui, a liberdade de expressão dos EUA parece significar apoiar a difusão do ódio, punir quem tenta defender instituições e legitimar delírios de intervenção com Bolsonaro na linha de frente, o interventor dos sonhos de quem prefere a ditadura ao debate.
Termino voltando à imagem: quem diria que no emblemático ano de 2025, a manchete do dia seria digna de uma capa de história alternativa, onde mulheres continuam lutando pelo direito de votar e o mundo civilizado assiste, chocado, ao espetáculo dos que querem ressuscitar os mesmos fantasmas de sempre. E ainda chamam isso de defender “valores”.
Ironia maior: defender a liberdade de expressão e, ao mesmo tempo, compartilhar vídeo tentando calar metade da humanidade. Parabéns, secretário! Parabéns por esse espírito visionário! Sempre inovando na arte de andar pra trás!