Jornal Tribuna

“Quando o Povo É Só Figurante: A Confissão Desconcertante do Deputado Que Defende a Blindagem Contra a Justiça”

Por Manuel Flavio Saiol Pacheco·
“Quando o Povo É Só Figurante: A Confissão Desconcertante do Deputado Que Defende a Blindagem Contra a Justiça”

Ah, o Brasil das manobras jurídicas e das invenções legislativas que fariam qualquer mágico de Las Vegas morrer de inveja! Vamos combinar que a dupla infernal que forma a PEC da Impunidade e a pomposamente chamada PEC do Fim do Foro Privilegiado não só oferece um verdadeiro manual de blindagem, mas também desmonta qualquer freio ou controle que teoricamente deveria existir.

Comecemos pela PEC da Impunidade, essa obra-prima da autoregulação. Seus autores tiveram o toque de gênio de determinar que parlamentares não podem ser investigados nem punidos, salvo se a própria comissão de ética da casa legislativa assim permitir — um colegiado notoriamente tolerante, alinhado e com histórico incontestável de transformar denúncias cabeludas em salgados e pizzas sabor “acordão”. Sim, senhoras e senhores, moral e rigor ficam a cargo dos próprios investigados, numa palatável autodefesa que certamente fará com que qualquer acusação caia no limbo dos “arquivos mortos”.

Com isso, o legislativo efetivamente se livra da atuação do judiciário, aquele poder encarregado de pôr freios em eventuais abusos e ilegalidades. A consequência é horripilante, pois fere a própria essência da tripartição dos poderes: uma Casa que legisla desgovernada, que controla, julga e absolve a si mesma, sem nenhum risco de fiscalização externa, abre caminho para a tirania da impunidade e a destruição da democracia.

Para completar o espetáculo, temos a “bela maneira” com que a PEC do Fim do Foro Privilegiado desloca os processos dos poderosos para a primeira instância, onde juízes locais, frequentemente despreparados ou pressionados, nadam numa montanha de processos e, claro, estão sujeitos a influências políticas das mais criativas e variadas.

Imagine o pacote completo: político “visitando” o juiz para um cafezinho, um almoço “patrocinado” pelo empreiteiro amigo, a oferta de um cargo para o parente distante do magistrado ou a alardeada pressão indireta que inclui desde telegramas sutis de impeachment até o monopólio do orçamento da comarca. Não há limites para as formas de sedução institucional, e tudo isso cria o ambiente perfeito para a lentidão estratégica que conduz à prescrição iminente. Enquanto o processo vaza, o político se reelegerá tranquilo, protegendo-se com um escudo feito de tempo e dinheiro.

Mas as mazelas não param por aí: a combinação dessas PECs é o convite aberto para grandes bandidos de facções criminosas como PCC, CV, além de assassinos, estupradores e outros monstros da violência, entrarem na política e se blindarem sob o verniz da imunidade parlamentar. Sabem que, com o dinheiro das suas operações, é possível bancar campanhas eleitorais robustas, seguras e blindadas, transformando o gabinete numa verdadeira fortaleza contra a Justiça.

Para que não restem dúvidas sobre para quem isso realmente interessa, recordemos a brilhante entrevista do deputado Sóstenes Cavalcante — aquele fantoche rotulado pela proximidade com o pastor Malafaia — quando questionado se essa loucura toda, essa blindagem escancarada, era demanda do povo. Desconcertado, ele confessou sem rodeios:

“O povo não quer saber disso. Mas é um direito nosso proteger o mandato.”
Leia-se: proteger-se das condenações por crimes que cometem. A sinceridade brutal da declaração resume com perfeição a lógica perversa que rege esse circo chamado Congresso Nacional — enquanto o povo assiste, os castelos de impunidade se erguem, e o direito vira privilégio de meia dúzia.

O Brasil assiste, incrédulo, à legalização da impunidade em escala industrial, erguendo um muro jurídico que não só protege criminosos contumazes, mas também expulsa qualquer tentativa real de fiscalização e justiça efetiva. Ou seja, criar estas PECs é garantir que a política vire o lar doce lar da impunidade absoluta, onde os contratos são fechados no escuro, os desvios são celebrados e o povo assiste a tudo do lado de fora, sem freios nem esperanças.

Em suma, a “PEC da Impunidade” e a “PEC do Fim do Foro” não apenas desmontam o sistema de freios e contrapesos, mas transformam o parlamento num reino fechado onde o crime está licenciado para governar, e a Justiça vira mera coadjuvante cansada, impotente e surda perante a maior farra jurídica da história nacional.

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