CEO da maior associação de marcas do mundo é presença no 45º Congresso Internacional de Propriedade Intelectual

O CEO da INTA – International Trademark Association (INTA), Etienne Sanz de Acedo, está no Brasil para participar do 45º Congresso Internacional de Propriedade Intelectual
Realizado anualmente pela Associação Brasileira de Propriedade Intelectual (ABPI), o congresso trouxe este ano um tema que vem se tornando um dos mais desafiadores para a Propriedade Intelectual: o avanço dos dupes – produtos que imitam marcas conhecidas e são comercializados a preços mais atraentes, conquistando espaço entre diversos perfis de consumidores.
A popularização dessas imitações abre um debate sobre os limites entre a livre iniciativa e o parasitismo de marca, colocando à prova sistemas jurídicos e estratégias empresariais em diferentes países.
Para Etienne, os dupes e a cultura dos dupes são uma nova realidade.
• As buscas no Google pela palavra dupe aumentaram 40% desde 2020.
• A hashtag #dupe acumulou 6,3 bilhões de visualizações no TikTok em 2023.
• 29% dos consumidores compraram dupes após a recomendação de um influenciador nas redes sociais.
• 71% da Geração Z às vezes compra uma versão mais barata de um produto de marca.
A Geração Z está em busca de alternativas mais acessíveis em áreas como maquiagem, cuidados com a pele, produtos de luxo, moda e vestuário.
As redes sociais e o impacto dos influenciadores contribuíram para a disseminação dos dupes, já que consumidores procuram alternativas para bens que nem sempre podem pagar.
Ainda que os dupes não sejam tecnicamente falsificações, eles podem impactar de forma significativa os direitos de propriedade intelectual, a receita e a reputação ou presença de mercado das empresas.
As companhias têm a oportunidade de fazer valer seus direitos com base na Lei da Propriedade Industrial (que trata de marcas e de concorrência desleal) e no direito de imagem (previsto na Constituição e no Código Civil). Mas, em algumas ocasiões, as empresas precisam refletir sobre qual é a melhor resposta a essa nova realidade de mercado. Algumas empresas, como a Lululemon, com sua campanha “Dupe Swap” em 2023, decidiram com sucesso engajar consumidores de dupes e transformá-los em novos clientes.
O Brasil e a Propriedade Intelectual
Durante sua viagem ao Brasil, Etienne teve a oportunidade de se reunir com a indústria e com autoridades brasileiras.
Segundo Etienne, o Brasil possui um ecossistema sólido de Propriedade Intelectual, com profissionais muito competentes e associações sólidas, como a ABPI. Certamente há oportunidades adicionais de aprimoramento, mas as autoridades brasileiras estão bastante conscientes da importância da PI e vêm fazendo esforços visíveis para promover inovação e crescimento, apoiar o desenvolvimento das empresas brasileiras e proteger os consumidores.
O Brasil possui uma Estratégia Nacional de PI, um Grupo de Trabalho Interministerial de PI, uma Frente Parlamentar de Combate à Falsificação e à Pirataria, um Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) sólido e alguns tribunais especializados em PI. Além disso, o Brasil já é parte dos tratados internacionais de PI mais relevantes.
Seria certamente benéfico conceder mais recursos ao INPI, ampliar a quantidade de tribunais especializados em PI e promover ainda mais uma cultura de propriedade intelectual como catalisadora de inovação e crescimento.
O Brasil tem agora a oportunidade de ajudar as empresas brasileiras a compreenderem o valor e o potencial de seus ativos intangíveis e de sua PI.
As empresas brasileiras deveriam pensar em fortalecer ainda mais seu branding, expandir para mercados estrangeiros com produtos e serviços de marca, assim como comercializar e monetizar seus ativos de PI por meio de co-branding, licenciamento e franquias.
