Jornal Tribuna

O ciclo do desejo e a dança da vida

Por Jaeder Wiler·
O ciclo do desejo e a dança da vida

O ciclo do desejo e a dança da vida

Vivemos tempos em que o produzir parece ser a régua pela qual medimos nosso valor. Como se a existência se justificasse apenas pela entrega constante de resultados, pelo movimento incessante entre o desejar e o realizar. Neste fluxo, somos navegantes de um mar que não se aquieta: há sempre um novo horizonte, uma nova ilha de promessa a ser conquistada.

Entre o desejo que nasce e a realização que alcançamos, transita a energia vital que nos move. Trabalhamos, sonhamos, lutamos, caímos e erguemo-nos, embalados pela esperança de que, ao tocar o objeto do nosso anseio, encontraremos finalmente descanso e plenitude. Mas eis que, ao chegar lá, uma pausa inesperada se instala. O tempo desacelera, o corpo e a mente repousam, e, no silêncio, uma sombra sutil de tristeza pode se insinuar.

Esse breve intervalo, entre a euforia da conquista e o próximo passo, é terreno fértil para o desânimo. Como se a alma, sem novo rumo, perdesse parte do brilho. O livro sonhado, agora impresso e exposto à luz do mundo, já não pulsa com a intensidade da gestação. A realização se faz passado, e o presente clama por renovação.

O segredo está em não permitir que a pausa se transforme em estagnação. O espírito não nasceu para adormecer no repouso da vitória, mas para reinventar-se, buscar novas trilhas, acender outros fogos. Que a tristeza passageira do pós-conquista seja provocação para o próximo sonho, convite ao desejo seguinte, ponte para a próxima criação.

Procrastinar, entregar-se ao vazio, é um adormecimento da própria essência. A vida pede movimento, reinvenção, ousadia de sonhar de novo. Não se trata de produzir por obrigação, mas de manter acesa a chama da curiosidade, do prazer em criar, em experimentar-se vivo a cada novo projeto, por menor que seja.

Que cada pausa seja, então, respiro e não fim. Que cada realização aponte para um próximo horizonte. E que o espírito, inquieto e audaz, jamais se conforme com a morte prematura que é o abandono dos sonhos. Pois viver, afinal, é a arte de desejar sempre um pouco mais e encontrar alegria na travessia.

Jaeder Wiler

1 Comentário

  1. Eunice Maciel
    Eunice Maciel

    Fazer planos e trabalhar para que os sonhos se realizem deve ser a nossa mola. Enquanto há planos, existe motivação!

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