Jornal Tribuna

Doutorado sanduíche: um dos caminhos em Brasília

Por edicao·
Doutorado sanduíche: um dos caminhos em Brasília

Sempre achei o termo “doutorado sanduíche” algo lindo, eloquente e difícil; significa realizar estudos em outra universidade com pós-graduação em território nacional ou internacional. Visa aprimorar estudos da tese, com outras lentes, perspectivas interacionais com docentes, pesquisadores de outro lugar. Participei de um edital com um nome bonito também: “mobilidade acadêmica”, que nas minhas pesquisas, quer dizer a mesma coisa.

Para isso, primeiro precisava que uma professora-pesquisadora me aceitasse no seu programa, que dialogue com a minha pesquisa; depois elaborei um plano de trabalho com aspectos que contemplavam estudos dirigidos, frequentar aulas, atividades culturais com o objetivo final de escrever uma parte da tese. Em terceiro, precisava ser uma das selecionadas.

Consegui! Fui um dos 9 planos de trabalho selecionados da Faculdade de Educação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, a UFRGS. Fantástico!

Trinta dias em Brasília, a capital do Brasil, a cidade bolha arquitetada pelos senhores JK, Lúcio Costa e Niemeyer: há museus, a asa norte, asa sul, até o lago Paranoá foi projetado. Muitas árvores, muito bicar de pica-pau e muito concreto.

Ao andar pelos caminhos transitórios elaborados pelos milhares de trabalhadores das cidades-satélites fui acolhida, recepcionada com bastante sotaque mineiro, goiano, piauiense, cearense em que a maioria se encontra, para mim, no coração da cidade: a Rodoviária – Plano piloto. Que lugar lindo (é uma mistura da rodoviária de Porto Alegre, do camelódromo e do largo Glênio Peres). Por dias fiquei observando etnograficamente esses andares.

Por fim, nesse giro de 360°C cruzei com uma família de corujas buraqueiras, a caminho da Faculdade de Educação da Universidade de Brasília, a UnB, para uma aula incrível e descoberta de outras produções acadêmicas num campus novo e cheio de cliques para mim.

 Assim, fico curiosa para saber como terminarei a tese em 2026, e pondero que minha identidade de professora-pesquisadora aprendeu muito mais do que estava previsto no edital, visto que ter a possibilidade de participar de uma mobilidade acadêmica transforma uma estudante da pós-graduação com aprendizagens que se direcionam para variados caminhos.

Autora:

Kelly Gularte[1]


[1] Doutoranda em Educação na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, professora de educação básica e profissional no Rio Grande do Sul. Kelly.gularte@ufrgs.br

1 Comentário

  1. Cláudio Humberto da Costa
    Cláudio Humberto da Costa

    Gostei muito do texto

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