Saúde: A Base para uma Longevidade Plena e o Desafio da Geriatria no Brasil

O avanço da medicina e a melhoria das condições de vida fizeram com que a expectativa de vida aumentasse significativamente nas últimas décadas. No entanto, viver mais não significa, necessariamente, viver bem. O verdadeiro desafio da longevidade está na qualidade de vida, e a saúde é o alicerce fundamental para isso.
Manter a vitalidade ao longo dos anos não acontece por acaso. Construir uma velhice ativa e saudável exige atenção desde cedo, com hábitos que preservem corpo e mente. Alimentação equilibrada, atividade física regular, sono reparador e acompanhamento médico preventivo são pilares essenciais. para um envelhecimento digno e independente.
Por outro lado, a negligência com a própria saúde pode cobrar um preço alto. Doenças crônicas, perda de autonomia e limitações físicas se tornam barreiras para aproveitar plenamente os anos adicionais de vida. A boa notícia é que nunca é tarde para mudar e buscar um estilo de vida mais saudável, mas quanto antes melhor!
Maria (*) sempre priorizou sua saúde. Desde jovem, adotou uma alimentação equilibrada, praticou exercícios físicos e manteve acompanhamento médico regular. Agora, aos 70 anos, ela se sente disposta, independente e aproveita os dias com energia e bem-estar. Sua longevidade ativa é fruto de anos de autocuidado e disciplina.
João (*), por outro lado, nunca deu muita atenção aos hábitos saudáveis e, durante a sua vida toda, negligenciou os sinais do corpo. O sedentarismo, a alimentação desregrada e a falta de exames preventivos cobraram seu preço. Aos 72 anos, enfrenta diversas complicações de saúde, como hipertensão e diabetes, que limitam sua mobilidade e qualidade de vida. Se pudesse voltar no tempo, certamente faria escolhas diferentes.
Mas há um obstáculo que vai além do comportamento individual: o Brasil tem um grave déficit na formação de especialistas para cuidar da população idosa.
Segundo Alexandre Kalache, geriatra e gerontólogo, e que preside o ILC Brazil (International Longevity Centre, Brasil), atualmente são pouco mais de 2 mil geriatras credenciados na Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia – SBGG, quando o ideal seria ultrapassar 30 mil. Apenas 0,5% dos médicos recém-formados optam pela geriatria.
E aí falta a visão de futuro! Dados recentes indicam que dentre os médicos residentes 11% estão fazendo obstetrícia. E daí poderíamos perguntar: fazer obstetrícia? Você não está vendo que cada vez tem menos mulher grávida? E mais, 11% vão para a pediatria. E vale a pergunta: Você sabia que há 27 anos tem menos criança nascendo? E que depois tem menos criança, depois menos adolescente?
Enquanto isso, a população idosa cresce: somos 33 milhões de pessoas com mais de 60 anos hoje, e seremos mais de 68 milhões em 25 anos. Um salto de 15% para 31%.
Essa lacuna não se resolve apenas com mutirões de formação. É preciso uma mudança estrutural na educação em saúde. Todo profissional — médicos, enfermeiros, nutricionistas, psicólogos, fisioterapeutas — precisa aprender a lidar com o envelhecimento humano.
Ainda hoje, os manuais de medicina seguem ilustrando corpos de 20 anos, quando a realidade nos consultórios é outra: pacientes com 70, 80, 90 anos, com múltiplas condições, diferentes respostas a medicamentos e necessidades específicas de cuidado. A falta de preparo leva à hiper medicação, à perda de autonomia e até à morte evitável.
Enfrentar o desafio da longevidade exige uma revolução na educação, na saúde e na forma como planejamos o futuro. Não é só o médico que precisa entender isso. É o comunicador, o planejador urbano, o político — todos nós!
Seu futuro começa agora! O que você tem feito hoje para garantir uma velhice saudável e independente? Sempre é Tempo. Desperte para Viver Mais e Melhor!
(*) Atenção: os nomes acima mencionados são fictícios, mas as situações refletem realidades comuns.
Autor:
Pedro Aguiar, Relações Públicas, Jornalista, Radialista e Copywriter, há mais de 11 anos é um entusiasta do tema Longevidade