Jornal Tribuna

Investimento em IA eleva níveis de produtividade na TER Brasil

Por edicao·
Investimento em IA eleva níveis de produtividade na TER Brasil

Empresa de Caxias do Sul já percebe resultados expressivos com o uso da ferramenta

Fabricante de equipamentos hidráulicos, com foco principal em transmissões de força, a TER Brasil deu início em 2024 a um processo de mudanças em busca de maior produtividade na estrutura fabril. Uma das principais medidas foi a adoção da inteligência artificial para o gerenciamento das máquinas. Instalada em cada um dos equipamentos em operação na manufatura, a solução avalia o nível produtivo, se a entrega é a esperada pela empresa, aponta problemas em curso e que exigem ações, bem como o desempenho individual dos trabalhadores. “Na prática, é como termos analistas de processo, monitorando em tempo integral cada uma das máquinas”, compara o gerente de operações Sandro Hasse.

Segundo o executivo, os primeiros resultados obtidos já apontam importantes ganhos para a companhia. Dentre as falhas indicadas pelo MES, nome da solução, estavam a falta de áreas de manutenção e preparação das máquinas. Com a implementação destas áreas, dentre outras, a empresa conseguiu redução nos tempos de parada das máquinas, resultando em aumento de produtividade, e no custo de produção.

Hasse cita que no modelo anterior de manutenção, que era terceirizado, os equipamentos ficavam parados de dois a três dias. Com a criação do setor interno, o tempo caiu para, no máximo, seis horas. O setup de máquinas, que era de três a quatro horas, foi reduzido para 20 minutos, com a criação de uma área responsável por preparar o processo e entregar para o operador realizar a mudança. Desde dezembro de 2024, a IA também faz o gerenciamento das pessoas, indicando principalmente o tempo de cada processo e eventuais distorções entre operadores e turnos para incremento de melhorias.

Atualmente, toda a área de manufatura é monitorada pela ferramenta, o que representa em torno de 85% do quadro de funcionários. Ainda neste semestre, o sistema será estendido para a linha de montagem. “Ganhamos em produtividade e segurança, além da criação de vagas diretas”, cita o gerente, que recebe relatórios completos com dados sobre o comportamento dos equipamentos e sugestões de ajustes quando necessários.

Para colocar todos os processos sob gerenciamento da IA, o processo fabril da TER Brasil está recebendo equipamentos 100% automatizados para substituir as atividades manuais, visando aumentar a segurança, a produtividade e reduzir índices de rejeição. Neste ponto, um equipamento recém instalado zerou a rejeição de peças, que era de 2,5%. Reconhece, no entanto, que um dos desafios a ser superado é a carência de mão de obra especializada. Hasse acrescenta que os novos equipamentos têm capacidade de produção até três vezes maior do que os atualmente usados.

Outro movimento recente envolve a área de logística, que apresentava problemas frequentes pela dificuldade de controle da preparação dos pedidos para entrega.

  Crédito fotos Vinicius Rech, Divulgação

A empresa investiu, há cerca de dois meses, em um sistema automatizado, que reduziu o esforço dos operadores na movimentação de volumes e garantiu a inclusão da rastreabilidade de todo o processo. “Ganhamos em tempo e assertividade. O sistema opera com leitor de código de barras, que zera a possibilidade de erros, e nos permite identificar, em caso de problemas no equipamento, o seu histórico de produção”, frisa.

Na mesma área está em andamento a substituição gradual de caixas de madeiras por estruturas de aço para o armazenamento e transporte das peças. A medida repercute em ganhos ambientais em razão das perdas expressivas das caixas de madeira, e de layout, com melhor utilização dos espaços.

Localizada em Caxias do Sul (RS), a TER Brasil investiu, no ano passado, mais de R$ 5,5 milhões em três novos pavilhões e na modernização do parque de máquinas, bem como do laboratório técnico. Para 2025, estão planejados mais R$ 8 milhões.

A TER Brasil tem quatro linhas principais de produtos, sendo carro-chefe a tomada de força, com participação de 50% na composição da receita. Anualmente, produz em torno de 30 mil unidades e tem por meta tornar-se, em 2025, referência no mercado da América Latina. As demais linhas são bomba hidráulica e kit hidráulico, com 15% de participação cada, e caixas de transferência, com 20%. A empresa tem destaque na produção de itens voltados a atender caminhões chineses, de grande presença no mercado latino-americano. As exportações representam em torno de 6%.

Autor:

Roberto Hunoff

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