Chuva

Eu não me canso de falar da chuva. Não há alegria maior, do que a que sinto quando começa a chover. Não aquela chuva torrencial, tempestades de raios e trovões (não que essa também não seja interessantíssima, porque é) mas me refiro a fina, suave e gostosa garoa matinal.
Me sinto em êxtase quando acordo de manhã e me levanto para ir ao banheiro e, quando abro a porta, dou de cara com a janela aberta e é nesses breves segundos de silêncio, ninguém fala nada, ninguém nem respira e eu ouço suave… a chuva.
Os céus acinzentados quase negros, não se sabe é dia ou noite exatamente. Por exemplo, poderia se tirar uma foto daquele exato momento e dizer que são 6:00 da manhã ou 15:00 da tarde e ninguém poderia dizer qual está certo e qual está errado.
Naquele momento, não há pressa. Não tenho ansias de nada, nenhuma preocupação, não há alegria nem tristeza. Não tenho obrigações de sorrir, nem falar quando não quero. Porque de forma alguma quero falar, quero o mais profundo e absoluto silêncio. Deixem os pingos falar, quero os ouvir. Apenas.
E quando eu saio na rua, ah quanta alegria! O verde parece mais esperançoso, mais alegre.
Vejo pássaros em poças d’água, vejo uma menina feliz com sua capa amarela e galochas vermelhas, sei que ela desejava mais que tudo um dia de chuva para estrear suas belas galochas na escola e mostrar a todos, à professora, à suas amigas. Sei que aquela será uma de suas melhores memórias de infância.
Aprecie esse momento pequena e nunca perca essa alegria das coisas simples, pois é a coisa mais rara entre os adultos. Mas voltando a chuva, o ar está humildo e é uma delícia. Há quem assim como eu, acorda com uma alergia danada a mudanças de tempo, mas não afeta meu contentamento, já tenho meu tratamento recomendado. Faço logo um chá, um café, um chocolate quente e qualquer outra bebida que esquente e enquanto mastigo pequenos biscoitos, bebo meu café e olho fixamente para a janela. Não quero perder um segundo de chuva.
Já reparou que a chuva aproxima as pessoas? Começa a chover e todos correm para debaixo de algum lugar para se abrigar e juntos, tal qual um coral, dizem: Que chuva hein! – Pois é! Que maravilha, parece até um teatro ensaiado. Quem tem guarda-chuva, oferece uma carona e juntos, conhecidos viram amigos e em alguns casos, amigos viram casais.
E que bela história, não é? Como aconteceu? Bem, foi num dia de chuva… Que coisa linda! Sim, a chuva reabilita a vida e nos prepara para quando o sol voltar.
Autor:
Eduardo Lira