Jornal Tribuna

Vício digital: como anda o sono do seu filho?

Por Edição Jornal Tribuna·
Vício digital: como anda o sono do seu filho?

Estudo alerta que 66% das crianças de seis anos gastam mais de sete horas e meia na semana em jogos eletrônicos

Seu filho está de férias, brincou ao ar livre, correu, fez diferentes atividades e no fim do dia “desmaiou” na cama? Apesar de ser uma situação recorrente no período em que as crianças não têm aulas, é importante adicionar atividades como essas durante o ano letivo.

Em 2019, a Organização Mundial da Saúde (OMS) enfatizou a importância da atividade física regular e do sono adequado em quantidade e qualidade para as crianças.

Para o Dr. Gleison Guimarães, especialista em medicina do sono pela Associação Brasileira de Medicina do Sono (ABMS), a atividade física fundamental para promover saúde está sendo cada vez mais substituída pelo uso da mídia de massa, à medida em que a tecnologia avança e os padrões de consumo de mídia infantil mudam ao longo dos anos.

“A recomendação da OMS é de que crianças e adolescentes, de cinco a 17 anos, acumulem pelo menos 60 minutos de atividade física intensa por dia, como aeróbico vigoroso e fortalecimento muscular e ósseo, três vezes por semana”, pontua o especialista que é Membro da American Academy of Sleep Medicine (AASM) e da European Respiratory Society (ERS).

Além disso, as diretrizes recomendam limitar o tempo de tela recreativo a duas horas por dia e garantir sono suficiente, de, no mínimo, nove horas seguiras, para crianças de cinco a 13 anos.

“Elas precisam envolver seus sentidos e experimentar o mundo de maneira multissensorial. Limitar a exposição a diversos estímulos, como o tempo excessivo de tela, pode afetar negativamente o desenvolvimento das estruturas neurais do cérebro. Isso tende a levar a dificuldades em dominar as habilidades de leitura e escrita, menos conexões sociais e, em situações extremas, contribuir para o vício digital. Esta questão é significativa, pois a atividade física, fundamental para promover saúde, está sendo cada vez mais substituída pelo uso da mídia de massa à medida em que a tecnologia avança e os padrões de consumo de mídia infantil mudam ao longo do tempo”, explica o médico.

O britânico Children and Parents: Media Use and Attitudes descobriu que 35% das crianças de sete anos têm smartphones, e 66% de seis anos gastam mais de sete horas e meia na semana em jogos eletrônicos

Vale ressaltar que as famílias influenciam nos hábitos saudáveis, com comportamentos pró-saúde e incentivam o tempo de lazer ativo.

“É essencial criar ambientes que apoiem e facilitem formas ativas de engajamento no período de férias e após as atividades escolares dos alunos. Promover e priorizar essas atividades pode contribuir para o bem-estar geral e o desenvolvimento das crianças”, finaliza o Dr. Gleison Guimarães.

Gleison Guimarães: Médico especialista em Pneumologia pela UFRJ e Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT). Especialista em Medicina do Sono pela Associação Brasileira de Medicina do Sono (ABMS). Especialista em Medicina Intensiva pela Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB). Certificado de área de atuação em Medicina do Sono pela SBPT/AMB/CFM. Mestre em Clínica Médica/Pneumologia pela UFRJ. Membro da American Academy of Sleep Medicine (AASM) e da European Respiratory Society (ERS). Diretor do Instituto do Sono de Macaé – Dr. Gleison Guimarães: Clínica de Medicina Respiratória e Vacinas. Presidente do Departamento de Distúrbios do Sono da SBPT (2013/2014). Presidente da Comissão de Distúrbios Respiratórios do Sono da SOPTERJ (2014/2015).

Atuou como coordenador de Políticas Públicas sobre Drogas no município de Macaé (2013) e pela Fundação Educacional de Macaé (Funemac), gestora da Cidade Universitária (FeMASS, UFF, UFRJ e UERJ) até 2016. Pneumologista do ambulatório do Centro de Especialidades Dona Alba Corral (Macaé-RJ). Professor assistente de Pneumologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro – Campus Macaé desde 2013.

Autora:

Jéssica Leiras

1 Comentário

  1. Rodrigo
    Rodrigo

    Muito importante ficar de olho nos pequenos… tanto pelas horas em frente ao celular e a saúde, quanto pelo que andam fazendo por lá…

Deixe um comentário