O garçom sabotador

Certa feita estava tentando reentrar no mercado dos casais e após ser sorteado no catálogo de gente dos Apps de namoro por outra inconsequente afetiva para desfrutarmos de nosso convívio mútuo em um Date (lê-se “deite”), decidimos que nos conheceríamos em uma lanchonete de hamburger gourmet que ela “tinha ouvido falar bem” e como sou reféns dos meus hormônios frenéticos, fui com a cara e a coragem.
Após nos conhecermos ao vivo depois de semanas de namoro EAD deslocamos-nos para a tal hamburgueria indicada, o Mr. Lanches (nome alterado para evitar processinho marocto).
Lá dentro, lugar bem decorado, simulando madeira rústica e luz baixa, para simular um lugar intimista enquanto economiza energia elétrica e o ambiente estava vazio para um sábado, o que achei bom pois seríamos atendidos rapidamente e logo veio o garçom, um mancebo com o cabelo meio amarelo, meio preto e um sorriso de quem vende gato por lebre, dando boas vindas e tocando fisicamente na minha pretendencte sob avaliação, o que já fez meu sorriso partir de côncavo para convexo.
Como não conhecíamos o lugar pedimos o número 1 do cardápio, o combo do lanche mais famoso da casa, hambúrguer de carne bovina com fritas e refrigerante famoso, pois achávamos que seria garantido de gostarmos, então foram dois pedidos gêmeos para o garçom que tinha síndrome de touchscreen, que estava me ouvindo fazer o pedido me tocando fisicamente no ombro, enquanto sem nenhum método de anotação ou comanda, saiu para concluir nossa vontade glutona ao cozinheiro e voltamos ao nosso colóquio assaz promissor, até a fome atacar após 40 minutos de espera em um lugar vazio, e quando já estava levantando para cobrar satisfações os lanches chegam super bem servidos e caprichados, até a moça perceber algo fatal:
– Garçom, meu pedido veio errado, é o hamburger de carne bovina, igual o dele
– AH VEIO, É? Ainda com aquele sorriso inconveniente enquanto se afastava.
– Pode pedir pra trocar, por favor? Intervi já febrilmente
– Então, acontece o seguinte… Volta para perto da gente em tom descontraído em desacordo com a situação. – Quando um pedido vem errado e nenhum outro cliente aceita, vira prejuízo pra gente e desconta do nosso salário, então… come assim mesmo!
Eu desacreditei na audácia desse Agostinho Carrara dissimulado e ouço a moça dizer – Eu não vou comer o que não pedi! E então o garçom tem uma ideia maravilhosa:
– Troca com ela, aí você agrada ela e eu não saio no prejuízo!
Nesse momento os Scouters de todos os SayaJins na região da Av Paulista quebraram pois meu Ki passou de 8 mil de tanto ódio, mas tive uma solução para garantir meu réu primário e nossa dignidade como clientes pagantes:
– Ok, pode deixar, então…
Enquanto o garçom se afastava eu falei com a moça – Vamos embora daqui, deixa tudo aí! e saímos tranquilamente enquanto o dissimulado volta esbaforido ao ver-nos de saída:
– Peraí, vocês vão sair sem pagar? Finalmente aquele sorrisinho caiu daquela cara de cínico
– Não tocamos no lanche, que veio errado, então não era nosso pedido e não tem nada pra ser pago aqui. Agora era eu com um sorrisinho cínico no semblante
– Mas o prejuízo será maior! Argumentou um malandro desesperado sendo ignorado ao distanciarmos do local e rumamos para o M grandão direto para salvar nossa noite, o garantido Mc Dooley do shopping.
Lá na praça de alimentação enquanto desfrutamos de comida processada hiper-palatável conversávamos sobre amenidades com muito bom humor e irreverência até que a moça lança seu Review do Date:
– Gostei muito do jeito que você interveio lá na situação do restaurante, achei muito cheio de atitude, meu Ex não fazia isso por mim e Blablabla Pipipipi popopó Whiskas sachê de cordeiro defumado, mas prefiro ter você como AMIGO!
– Ué, mas… (desisti de tentar entender a lógica, acho que ela queria alguém com menos atitude)
Pelo visto ela prefere preservar nossa amizade inexistente, e assim se tornou outro contato inerte nas redes sociais vindo do Tinder, ou será que o Garçom fez os hormônios dela se aquietarem? Maldicto garçom!
Autor:
Ulisses Lopes da Silva
1 Comentário
- Jessica Barbara
Eu amo as Crônicas do Ulisses Lopes. Jornal tribuna poderia postar mais textos fel!