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O (des)conto de natal

Por Edição Jornal Tribuna·
O (des)conto de natal

No abençoado dia de véspera de Natal do ano anterior, fui incumbido de comprar papel alumínio de última hora pois a metragem restante não poderia cobrir nem a terça parte das nádegas do futebolista Hulk então mergulhei no mundo insano dos compradores de última hora no supermercado

Apesar da tarefa ser simples, o ambiente era hostil e haviam senhoras se digladiando por formas de alumínio e senhores de ventre protuberante disputando sacas de carvão e engradados de cervejas, com crianças admirando aquele espetáculo que nem o Animal Planet conseguiria registrar. Após impor meu corpanzil de morsa entre a multidão, consegui alcançar o rolo de papel alumínio e me dirigi ao caixa mais vazio, e não o de poucos volumes, o que me custaria caro.

Eu era o terceiro da fila, na frente um QuarenTeen como eu e seu engradado de Itaipava e em atendimento um Sr que parecia o Gepetto do Pinóquio, mas magro como o seu Madruga, e tudo corria bem até ele passar todas as compras de seu carrinho carregado até o limite e na hora do pagamento:

– Senhor, esse cartão não aceitamos! Disse uma incrédula caixa de supermercado

– Mas esse cartão é de supermercado! Argumentou o intrépido Gepetto

– Siiiiim, mas é o cartão exclusivo do mercado A, somos o mercado Z! Dava pra ver a suplica por bom senso nos olhos da jovem

– Então num vô levar mais nada! Disse um desconcertado Gepetto.

O rapaz a minha frente e eu trocamos olhares de desaprovação com a boca retorcida e sem perceber a fila atrás de nós estava imensa e também produziam manifestações de insatisfação social enquanto a origem causadora muda de ideia, pois dado o horário avançado da hora, ele nunca conseguiria chegar em outro supermercado e realizar suas compras, fila de mercado, além do trânsito, a tempo e teve uma brilhante ideia:

– Se vocês me fizerem o desconto do mercado A, eu levo tudo daqui mesmo!

– Vou chamar minha gerente. Disse uma incrédula atendente que sonhava com um dia tranquilo de trabalho.

– Senhor, vai ser impossível dar esse desconto, não é prática do nosso mercado dar desconto de outros mercados!

– Então deixa tudo aí, eu vou embora! Gepetto usou seu deja vu argumentativo sobre a sagaz gerente, que se viu em um duelo de negociações infundadas.

Enquanto isso a cada recusa do velho em pagar suas compras gerava um EEEEEEEEH! nos outros integrantes da fila e eu protegia entre meus braços o inocente rolo de papel alumínio, mas sobre pressão popular o idoso pagou o valor integral de suas compras e evadiu-se como se nada tivesse acontecido…

Moral da história: o vacilo é meu e quero desconto!

Autor:

Ulisses Lopes da Silva

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