O Conhecimento

Ele poderia ser qualquer um, até mesmo eu, já que não sabia quem era, tiveram épocas das quais já fizera questão de saber, mas não tinha tanto interesse nisso agora. Mas, talvez, só talvez, eu não precisaria estar contando esta história se ele soubesse quem ou o que era, e digo o mesmo sobre mim. As coisas ocorreram de modo muito rápido e repentino, o que o tornou confuso. Era obcecado com conhecimento, queria por tudo ser inteligente e reconhecido como tal, era realmente genial, mas só vivia para isso. Ao mesmo tempo que sabia de tudo, não sabia de nada e não se conformava com isso, simplesmente não conseguia. Não entrava em sua cabeça que, mesmo que soubesse dos mínimos e profundos detalhes de livros escritos há 200 anos, mas não sabia que, por ser humano, tinha limites. Não suportava nem o pensamento de ser ignorante, mesmo tendo noção que o conhecimento poderia causar um certo desconforto, desconforto aquele que fazia o coração palpitar de maneira anormal e suas mãos tremerem, afinal, tudo tem seu preço. Isso não era saudável, e tinha conhecimento disso. Não saberia escrever muito sobre ele sem me aprofundar na noite que mostrou que era gente. Tudo ocorreu em uma noite no final da semana, não estava com a cabeça no lugar, raramente estava, pois é difícil quando se está esgotado. Ele sentia uma necessidade muito grande em aprender, mas na noite em questão, não conseguiu. Pegou um livro e sentou-se em uma cadeira, e apoiou-se na bancada que havia à sua frente, já tinha passado por muita coisa, mas não por aquilo, aquilo o fazia não dormir bem a noite, pois, em seu próprio sono, sentia necessidade de mais. O problema foi que, nesse momento de escuridão, ele não conseguiu compreender o que havia no livro. Nada nunca tinha o assustado quanto aquilo o assustou, ele temia aquilo mais que a morte, a sensação de pânico o tomou, colocou o livro na mesa, se levantou e se afastou da bancada e começou a tremer. Foi atrás de outros livros, abriu um que gostava, e começou a ler a página aleatória na qual havia aberto, não entendeu o que estava escrito também. Pegou outro, fez a mesma coisa, e também não entendeu, fez isso com mais alguns até sentar-se no chão. Não conseguia juntar os pontos, não conseguia raciocinar, então, com medo de estar louco e ter perdido seu conhecimento, tentou escrever algo em um papel, mas, como tremia, não conseguiu. Pôs-se a chorar de medo, feito uma criança sem saber o que havia debaixo de sua cama. Pelo sentimento, se levou. Coitado, teria se compreendido se soubesse que era humano, que era gente.
Autora:
Layla Azoubel