O Escritor

Lá estava ele, sentado em frente de sua máquina de escrever, cansado, sem saber sobre o que escrever. Passara a tarde inteira pensando sobre o que e como escreveria, várias ideias foram descartadas e reutilizadas, era um grande escritor, realmente, um dos bons, só estava sem conteúdo. Pegou sua caneta, rabiscou algumas coisas para tentar se inspirar, mas nada dava sinal de idealização. Frustrado e sentido, levantou-se e foi andar pela casa, passando pela sua estante de livros, lia muito, mas não gostava de distinguir a realidade da ficção, talvez por isso era escritor, talvez até por gostar do som das teclas da máquina de datilografia, talvez gostava da ideia de ver seus pensamentos no papel. Sentou-se em sua poltrona, do lado da estante, e olhou para o seu escritório em um geral, lembrou-se de seus personagens e suas marcantes histórias, não sabia o que fazer, entrou em desespero, um desespero calmo e calado, pois escrever era o que movia sua vida, era o que o fazia renascer. Estava em sua idade das trevas, não conseguia fazer a única coisa que tinha gosto em fazer, remoeu suas memórias e contemplações, até que, em um de seus raciocínios doloridos e rígidos, teve uma ideia, uma límpia e brilhante ideia, realmente genial. Foi rápido para se levantar e ir para frente de sua máquina, datilografou belíssimas junções de palavras com sentidos ainda mais belos. Depois de escrever até os dedos doerem, parou e lidou com a história mais bela já escrita, seus olhos pareciam luas, as quais refletiam a luz ofuscante de seu escrito, que parecia uma estrela com vida própria. Estava tão satisfeito, porém se indagou, deve ter percebido algo, me pergunto se havia percebido que não era real, que ele era uma estória.
Autora:
Layla Azoubel
1 Comentário
- jaederwiler
Gostei muito deste texto: por alguns instantes, parecia que era eu o protagonista. Abraço Layla…