”Dona cegonha”, por favor

Dona cegonha, bom dia! Sou um observador terrestre e admiro a cada dia tudo que aqui existe; fontes, rios, mares, flores, florestas e as nossas invenções…
O homem mistura e transforma com “sabedoria” as matérias que temos por aqui:
madeira, terra, água e ar; misturas que se transformam em abrigos, transportes, luz, aquecimento e alimento.
Tudo é maravilhoso e reluz com a força do sol, mas, gostaria de observar e fazer um pedido:
Que a próxima criança, quero dizer, anjo, possa ser entregue com lógica e sabedoria.
É preciso considerar que cada milímetro do planeta tem um proprietário.
E o espaço de cada um aqui é heterogêneo. Poucos com muito e muitos com pouco. Há quem vive em um metro quadrado, tem quem mora em cem metros quadrados. E até quem mora a céu aberto.
Portanto, como sugestão e sabendo que anjos, quero dizer crianças, precisam de proteção, carinho e conforto, sem falar da alimentação que é indispensável até que suas asas lhe permitam alçar voos sozinhos – Reforço meu pedido- escolha bem o local de entrega. Imagino que a senhora tenha filhos e saiba de todas essas necessidades…
Assim, com todo respeito à hierarquia divina e sua tradicional sabedoria, pense bem onde vai pousar com a próxima encomenda, levando com seriedade essas observações. Caso não utilize essa lógica, poderá fazer um anjo ter uma infância infeliz.
E, consequentemente será um anjo mal-humorado ou, no mínimo rancoroso, além de um adulto frustrado.
Desde já quero que não se irrite com minha sugestão.
Quero que saiba que a respeito muito e longe de mim querer me meter num assunto tão delicado e divino.
A senhora sabe que a terra é um paraíso para ser vivido com fartura e alegria…
Sua benção, velha senhora.
Autor:
Jaeder Wiler