Porto de Itajaí, com prejuízo diário de US$ 33,5 milhões, vai funcionar com 2 berços
Com um prejuízo diário de US$ 33,5 milhões (cálculo baseado na receita de US$ 10 bilhões de Janeiro a Outubro, segundo dados do Ministério da Indústria e Comércio Exterior), o Porto de Itajaí, ainda sem saber com exatidão o total de danos sofridos, vai funcionar com a operacionalização de dois berços. O superintendente do Porto de Itajaí Arnaldo Schmitt esteve reunido com os diretores do Porto e o superintendente do Teconvi, Walter Joos, e chegaram a essa decisão. O grupo discutiu as condições de operação do Porto de Itajaí no Berço 4 e no novo berço do Teconvi, o Berço Zero.
De acordo com informações da diretoria técnica, foi feita uma avaliação preliminar no Berço 4 que apresenta condições de operacionalidade. "Assim que a correnteza diminuir vamos avaliar o restante do cais comercial do Porto de Itajaí", esclarece Schmitt.
Ainda de acordo com o superintendente, assim que o rio ofereça condições, será feita uma batimetria (medição da profundidade do rio) para avaliação de todo o canal de acesso e bacia de evolução. "Como estamos localizados na Foz do Rio Itajaí-Açu e várias estruturas foram levadas pela força da correnteza, a batimetria vai permitir saber quais são as condições de profundidade no Complexo Portuário do Itajaí-Açu para que possamos abrir o canal de acesso, retornando às operações no Berço 4", ressalta Arnaldo Schmitt.
Berço Zero
O Berço Zero, obra a cargo do Teconvi, arrendatário de parte das instalações do Porto de Itajaí, estava com previsão de início das operações para o final de dezembro. "Conversamos com o Walter Joos, superintendente do Teconvi, que não poupou esforços para adiantar a obra do Berço Zero. Dentro de duas semanas, no máximo, o novo berço de atracação deve operar também", explica Arnaldo Schmitt.
Com as medidas preventivas a expectativa é que, dentro de, no máximo duas semanas, o Porto de Itajaí retorne as operações com dois berços de atracação para navios de grande porte.
Danos
Para a obtenção exata dos danos causados ao terminal itajaiense, o Instituto Militar de Engenharia deverá fazer a avaliação técnica. Isso só vai ser possível depois que a força da correnteza diminuir. Só assim os mergulhadores poderão ter condições de trabalho.
O que se sabe é que o Porto de Itajaí sofreu a perda de dois berços de atracação. O Armazém 2 também está com a estrutura comprometida. O Ministro-chefe da Secretaria Especial dos Portos, Pedro Brito, deverá vir a Itajaí no próximo dia 2, acompanhado do Subsecretário de Portos, Fernando Victor, do Coronel e Assessor para Assuntos de Segurança Portuária, Jorge do Carmo Pimentel e do diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Hidroviárias, Domenico Accetta. Chegarão à cidade para avaliar os danos, tão logo o rio Itajaí volte à cota de normalidade.
Navegantes
O Porto de Navegantes não sofreu nenhum dano com as enchentes. O terminal, porém, só voltará a funcionar após a liberação da barra. Exatamente no dia em que as cidades começaram a ser engolidas pelas águas (24), o Portonave ia inaugurar seu moderno terminal de produtos frigorificados, o Iceport. As solenidades não puderam ser realizadas.
Obras para alavancar o Porto
A edição extra do Diário Oficial da União do dia 26 de novembro traz o texto da medida provisória nº 448. Esta MP prevê um montante de R$ 350 milhões para as obras emergenciais no Porto de Itajaí.
As obras emergenciais serão estas:
Espaço/Área:
- colocar em operação a área menos atingida do porto. No RAC (Recinto Alfandegado Contíguo) é necessário recuperar o pavimento sem que haja paralisação da operação portuária;
- demolição do Armazém 2 (em ruptura);
- demolição do Armazém 2 para ampliação da área de pré-embarque;
- locar e/ou construir um novo armazém para substituir os existentes, e/ou construir área para verificação de mercadorias (coberta);
- recomposição do pavimento das áreas contíguas para circulação e pré-embarque;
- recomposição da retro-área contígua ao berço 3
Acessos:
- batimetria para definir as cotas;
- contratação emergencial da dragagem;
- melhorias e implantação do Gate II para ampliar a operacionalidade do Porto.
Estrutura / Cais:
- análise estrutural dos berços 3 e 4;
- reposição de cabeços e defensas dos berços 3 e 4;
- estudo da construção Dolphin para amarração de lançantes;
- cravação de estacas pranchas em frente ao Gate I.
Técnica / Operacional:
- readequação da infra-estrutura de iluminação e rede elétrica;
- delimitação das áreas operacionais, através de blocos de concreto;
- revisão do sistema de drenagem geral;
- retirada dos 4 guindastes de pórtico sob os trilhos dos berços 3 e 4.
AÇÕES EMERGENCIAIS 2:
- reconstrução de 400 metros de cais;
- reforço dos 300 metros remanescentes;
- retira dos escombros do rio;
- reconstrução do pavimento da área primária;
- construção de sistema de macro-drenagem da área do Porto;
- revisão do sistema de sinalização náutica do Porto, confecção/aquisição e reposicionamento de bóias;
- readequação dos sistemas de CFTV - Circuito Fechado de Televisão e armazenamento de dados;
- instalação de novas defensas.
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