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Edição n.º 1415 de 26/07/2008

Operação Tempestade no Deserto
apreende 3 milhões em mercadorias

Ação conjunta de sete órgãos públicos faz "pente fino"
nos camelôs de Balneário Camboriú

Bruna Barievillo -

Foi deflagrada na manhã da última quinta-feira (24), a Operação Tempestade no Deserto, que apreendeu mercadorias sem nota fiscal nos camelôs de Balneário Camboriú. A operação foi articulada conjuntamente pelas Polícias Civil e Militar, a Secretaria de Estado da Fazenda, Ministério Público Federal e Estadual, Superintendência Regional da Receita Federal e Secretaria da Receita Federal.
A ação pretendia combater a pirataria, a falsificação de produtos, sonegação fiscal, contrabando e descaminho nos três camelódromos da cidade. Foram apreendidos produtos eletrônicos e réplicas de roupas e acessórios em 150 das 302 bancas da cidade. Segundo as autoridades responsáveis pela operação, as mercadorias suspeitas de irregularidade ficarão retidas no depósito da Receita Federal em Itajaí, onde serão averiguadas e apenas os produtos constatados como regulares serão devolvidos aos proprietários a partir do próximo dia 31. A contar desta data, os comerciantes poderão ligar para agendar a retirada das mercadorias mediante apresentação de nota fiscal.
O síndico do camelódromo da Igreja Santa Inês, conhecido como Moscon, reitera que a operação é exagerada e descumpre acordo firmado pelos comerciantes com a Receita Federal, a Promotoria e a Receita Estadual. Há um ano foi decidido, em reunião, que os boxes que constituíssem firma em cartório seriam apenas fiscalizados. A apreensão de mercadorias estava descartada desde o acordo. Indignado, Moscon afirma que 80% das bancas já estavam regularizadas e que não seria necessária uma operação deste porte para averiguar irregularidades.

Prejuízo
Os comerciantes estão desolados com a ação dos órgãos de fiscalização e a classificam como arbitrária. Luís Lozano, proprietário de uma banca de celular e acessórios há oito anos no camelódromo da Igreja, conta que levaram mercadorias importadas e com nota de seu estabelecimento. Segundo o comerciante, que via a operação como "a desgraça no camelô um ano depois", seu prejuízo será grande, pois não tem esperança de recuperar o que foi subtraído, como na última operação deflagrada no ano passado e até a devolução da mercadoria não poderá trabalhar.
O consumidor Osnei de Souza diz que esta operação no comércio popular de Balneário Camboriú é mais uma estratégia para diminuir o turismo na cidade pois, segundo Osnei, os maiores atrativos estão sendo tirados. Já fecharam as casas de jogos, na praia central, a água está podre, tiraram as boates da Barra Sul e agora fazem represália aos camelôs, é o fim da "época de ouro" da antiga "Ibiza brasileira", disse.
Na entrevista coletiva concedida na tarde de quinta-feira, as autoridades revelaram números da operação. Foram apreendidos mais de R$ 3 milhões em mercadorias suspeitas, que foram transportadas em quatro caminhões e houve uma prisão por venda de remédios falsificados.

Por que Tempestade no Deserto?
O nome da operação partiu da Receita Federal de Itajaí, que a batizou de "Tempestade no Deserto" numa implícita alusão à areia das praias da região, o que remeteria ao deserto. E, segundo o delegado da Receita Federal de Itajaí, José Carlos de Araújo, tempestade por causa do número de pessoas envolvidas na ação, que remete à força de uma tempestade.

  

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